QUEIMA DAS FITAS, TRAJE ACADÉMICO e JOÃO ABEL MANTA
A QUEIMA
Ponto alto na QUEIMA DAS FITAS DA UNIVERSIDADE DE
COIMBRA o CORTEJO DOS QUARTANISTAS, a realizar neste domingo, recebe o apoio e
os aplausos de muitos familiares dos estudantes e da cidade em geral. Nos
últimos anos o Cortejo tem crescido no número dos carros engalanados. Juntando
as Faculdades da Universidade, o Politécnico e outras Escolas superiores, o
CORTEJO é uma grande festa. Permitam-me sugerir, ou antes, lembrar que a Praxe
também envolve a festa e, além disso, é necessário agarrar os sorrisos e
aplausos de quem assiste em vez de atitudes de afastamento, e algumas, em anos
anteriores, foram dececionantes como, por exemplo, o regar o público que está a
assistir e ladeia o cortejo, com o esguichar de garrafas de cerveja. Tenho a
ideia de que já há uma maior consciência de prevenção da alcoolização dos
participantes. Não somos paternalistas, mas é um facto de que uma festa não se
pode transformar num exercício de excesso de álcool levando alguns aos
hospitais e já houve casos de coma alcoólico. Devo dizer-lhes que estive alguns
anos na Direção da Associação dos Antigos Estudantes e sempre procurei que
fossem promovidas ações de sensibilização para uma QUEIMA DAS FITAS como sadia
festa dos estudantes baseada em amizade e fraternidade e com elevado sentido de
responsabilidade cívica. A Academia de Coimbra costuma ser um exemplo do
perfilhar de grandes valores o que certamente irá continuar no próximo domingo:
BOA E FELIZ QUEIMA PARA TODOS OS ESTUDANTES.
O TRAJE ACADÉMICO
Lamento que em vez de ser usada de forma regular,
no quotidiano, como forma de democratização, a capa e batina apareça quase só
nestes dias de festa. Podem observar, durante esta fase da Queima, muitos
estudantes com o traje académico, contudo, na maioria dos casos, é um traje
impecável que pode indiciar pouco uso. Seria giro reverter a situação. Não digo
capa e batina sempre, mas é preciso que apareça mais vezes nos bancos da
Universidade, nas ruas de Coimbra e até no país.
JOÃO ABEL MANTA E O TRAJE ACADÉMICO
Sempre senti um especial fascínio pelos painéis
que podemos observar na parede exterior das instalações académicas, do lado da
Sá da Bandeira, e a antecederem a entrada para o Teatro Académico de Gil
Vicente. Estes painéis representam a evolução do traje académico, no início do
século XIV, então quase um traje eclesiástico, até ao aproximar da atual capa e
batina. É um trabalho que se lê como evolução, progresso e mudança de
autoria do notável pintor, arquiteto, cenógrafo e cartunista JOÃO ABEL MANTA
falecido aos 98 anos no início desta semana. João Abel Manta realizou trabalhos
inesquecíveis em que dava conta da situação político-social no nosso país antes
e depois de Abril com trabalhos saídos em várias publicações e em diversas
exposições nacionais e internacionais. Foi um forte opositor à Ditadura. A
Cultura portuguesa perde um dos seus vultos. Recorde-se que João Abel Manta e Alberto
Pessoa foram os arquitetos das instalações-sede da Associação Académica de
Coimbra.
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