EM COIMBRA, E A OURO, HOMENAGEM A FERNANDO ROLIM

 TARDE DE DOMINGO, 2 de fevereiro, 

EM COIMBRA, E A OURO

HOMENAGEM A FERNANDO ROLIM

 O 2 de fevereiro de 2025 ficará gravado a oiro na história do fado e da canção de Coimbra. A Sala Dom Afonso Henriques do Convento de São Francisco, foi pequena para o Concerto-Homenagem  a FERNANDO ROLIM.  Durante a aplaudida sessão, além das diversas execuções musicais houve fragmentos da vida e obra deste médico cantor. 77 anos dedicados à Canção de Coimbra. Uma voz reconhecida e aplaudida a nível internacional. Um tenor que consideramos um dos nomes maiores do fado e canção de Coimbra. Natural de Coimbra onde nasceu há 93 anos, Rolim aprendeu com um avô e com a mãe o gosto pela música. Na Academia coimbrã pertenceu a quase todos os organismos ligados à música. Licenciou-se em medicina em 1958. 

Durante os anos cinquenta participou em todas as Serenatas da Queima. Ainda como caloiro foi com José Afonso ao Casino da Figueira acompanhando o Professor Brojo e, nos camarins, cantou como quem mostra os seus dotes e foi de imediato recrutado para o Grupo que tinha como instrumentistas de base, António Portugal, António Brojo, Aurélio Reis e Mário de Castro. Quanto aos cantores era igualmente uma formação de excelência com Luís Góis, José Afonso, Machado Soares e, claro, passou a incluir Fernando Rolim. Conhecida pela Tertúlia do Calhabé surgem várias gravações hoje mantidas em discos que são suportes históricos. Nos anos seguintes, Rolim fez várias gravações das quais destacamos o tema ONDAS DO MAR o seu primeiro grande êxito. Atuou em vários países e ainda manifesta publicamente o privilégio de ter cantado para nomes como Doris Day e Edith Piaf que lhe pediu um autógrafo e o obrigou a bisar a atuação. Nessa sua presença em França recebeu um convite de um agente para fazer uma digressão pelo mundo, mas a vida profissional, a medicina, falou mais alto. Há alguns anos apresentou no Pavilhão Centro de Portugal o seu CD, o mais recente, tendo realizado uma jornada de grandes afetos onde fez um pedido aos cultores da Canção de Coimbra: “Não deixem caí-la no esquecimento, componham-na, cantem-na à vossa maneira, adaptando-a às caraterísticas da sociedade académica em que estiverem inseridos, mas cantem-na sempre”.

No Emissor Regional de Coimbra no âmbito do programa Do Choupal até à Lapa da RDP/RTP ficaram várias gravações com a voz deste enorme cantor de Coimbra. Tive o privilégio de entrevistar por diversas vezes para a rádio e para a televisão o Dr. FERNANDO ROLIM. Dessas entrevistas guardei fases de um percurso notável que passou também por Santarém e Setúbal, por dois meses de êxitos no Brasil e pela Índia e por um reconhecimento da sua classe artística e de homenageado pelo município de Coimbra que  lhe vai atribuir o maior galardão com a entrega da Medalha da Cidade em Ouro.

O presidente do Município de Coimbra, Dr. José Miguel Silva, acompanhado do vice Reitor, Doutor Delfim Leão, estiveram presentes e saudaram o homenageado bem como o seu colega Murta Rebelo e António Ribeiro, da Academia do Fado de Coimbra, entidade que esteve na base desta homenagem.

Fernando Rolim subiu, uma primeira vez a palco para cantar o AMEN com o Coro dos Antigos Orfeonistas. No final também esteve em palco cantando ONDAS DO MAR e, posteriormente, foi solista na Balada da Despedida de 1958 acompanhado do filho, Pedro Rolim.

Era impossível ter um tão vasto e magnificente número de organismos académicos, de instrumentistas e de cantores de Coimbra presentes nesta jornada. Houve receções apoteóticas e, no final, público e palco cantaram a uma só voz a Balada da Despedida com um OBRIGADO, DR. FERNANDO ROLIM rematado por um vibrante F.R.A! 

APOTEOSE PARA ROLIM E PARTICIPANTES DE EXCELÊNCIA

A homenagem ao Dr. FERNANDO ROLIM, veio solidificar a vitalidade que marca o Fado e a Canção de Coimbra .ROLIM receberá no Dia da Cidade a medalha de ouro. É um dos nomes grandes do Fado de Coimbra e é o decano.

Destaco a plêiade de guitarristas, de violas e de cantores que atuaram nesta sessão:  Grupo CANTARES e GUITARRAS DE COIMBRA, Grupo RAÍZES e Grupo CANÇÃO DE COIMBRA. Para além de termos escutado um tema novo do Manuel Portugal, os executantes das formações indicadas atravessaram, principalmente, a obra de Rolim interpretando algumas das composições que marcam a sua carreira. A genialidade do nosso fado, chamem-lhe fado de Coimbra, canção de Coimbra, música de matriz coimbrã ou Serenata Coimbrã como teorizou o saudoso maestro Francisco Faria, atinge, no presente, um momento de elevada consagração embora ainda pouco presente nos média. Contudo, deixem-me opinar que talvez não seja oportuno que entre, por exemplo, avulsa e avultadamente, em competições televisivas. Há um BERÇO que o acolhe com uma intelectualidade que não é de abdicar. Para além da MALTA do fado e da canção de Coimbra saúdo três formações que igualmente empolgaram a assistência: TUNA ACADÉMICA, sob a direção do maestro António Granjo, ANTIGOS TUNOS sob a batuta de Tiago Martins e dos ANTIGOS ORFEONISTAS reconhecidos internacionalmente sob a direção do maestro Rui Paulo Simões. 

Que bela jornada!



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