A-CA-DÉ-MI-CA! BRI-O-SA!
ATÉ QUE A VOZ NOS DOA:
A-CA-DÉ-MI-CA! BRI-O-SA!
Continuamos a ter sócios e adeptos da ACADÉMICA que puxam verbal e sonoramente no estádio pela equipa. Voz pujante, sogro do eterno e saudoso capitão, Vasco Gervásio, o SENHOR SERAFIM proclamava altissonantemente A-CA-DÉ-MI-CA, voz tonitruante a ecoar em todo o estádio, das bancadas ao relvado, e a chegar aos ouvidos dos jogadores em campo. Quando era preciso incentivar os atletas para uma reviravolta ou para a vitória o SENHOR SERAFIM levantava-se e expandia o seu grito de apoio que lhe saía do coração até que a voz lhe doesse. O Senhor Serafim, conceituado alfaiate de profissão, era universalmente conhecido e acarinhado em Coimbra e personalidade de referência na sua área profissional. Atualmente, o SENHOR BORGES, do Café Borges, antiga Leitaria do Castelo, às vezes mencionada Leitaria Académica onde as tostas de galinha ganharam fama quase planetária, é um sucessor do Senhor Serafim proclamando em ondas sonoras o seu vigoroso e também muito sonoro apoio à Briosa sempre que necessário. Outros exemplos podiam ser dados. Recordo o meu saudoso amigo CASTANHEIRA JORGE que foi um conceituado profissional de seguros, e que, infelizmente, já partiu de forma inesperada, que se fazia acompanhar de um núcleo de sócios que também puxavam até ao infinito sonoro pela Académica e destaco no grupo o ANTÓNIO ALMEIDA com um brioso vozeirão, de tal forma o fazia que localizado na bancada perto da área da comunicação social, conseguia, sem o saber, que os seus gritos de apoio entrassem nos microfones da rádio durante os relatos. A paixão pela Académica e por Coimbra tem várias personalidades de idêntico protagonismo e forte capacidade de apoio. As gerações sucedem-se e RICARDO CASTANHEIRA, aliás, filho de Castanheira Jorge a quem fiz alusão, agora em Bruxelas, escreveu no Diário AS BEIRAS um artigo intitulado NUNCA FOI FÁCIL, relativamente ao jogo de amanhã frente ao Trofense que é preciso que a BRIOSA ganhe para poder subir de imediato à Liga 2. Diz, que “se fosse fácil, não seria para nós…e cá estamos uma vez mais naquele impasse do vai-não-vai”. Mais adiante, escreve, e cito o articulista: “A Académica de Coimbra é muito mais do que um clube de futebol. É um símbolo histórico da cidade de Coimbra, da tradição universitária e de uma identidade única no panorama desportivo português”. Mais adiante considera que “a subida de divisão mais do que êxito desportivo é um orgulho coletivo da nossa cidade de Coimbra”. Subscrevo o ponto de vista do Ricardo. A cidade e o concelho têm, felizmente, várias equipas de futebol que nos merecem a mais elevada consideração e apoio, porém, a Associação Académica de Coimbra com várias modalidades, é no futebol português um histórico com várias dezenas de anos de Primeira Divisão e entrou também em provas europeias. A BRIOSA tem uma mística que a consagra e um historial mais do que centenário e, até em termos de adeptos no seu estádio e nos campos de outros clubes, enche as bancadas, e de forma tão impressionante que a consideramos o QUARTO GRANDE CLUBE PORTUGUÊS emanado da mais antiga e prestigiada Academia portuguesa. A Académica é o clube dos estudantes e é um caso singular no futebol luso e, por isso, há o desejo de que suba à Liga 2, e logo que possível, à Primeira Divisão do Futebol Português. Estar na liga 3 é “um patamar que nunca rimou connosco” podemos ler numa carta que o dinâmico deputado conimbricense, sempre bem-humorado, GONÇALO CAPITÃO, antigo dirigente da Briosa, escreveu ao capitão LEANDRO sob o título DE CAPITÃO PARA CAPITÃO. E indica que “falar da Briosa é falar de uma instituição de primeira, de uma cidade de primeira e de adeptos de primeira (…) Assim, de Capitão para Capitão, peço-lhe a si Leandro, e aos seus companheiros que nos levem nas asas deste sonho”. Neste sábado, leitores, no Estádio Cidade de Coimbra, a partir das 4 e meia da tarde, serão 15 ou 20 mil ou talvez mais a pedirem a vitória da BRIOSA e que jogue com cuidados mil, mas com capacidade ofensiva para obter uma clara vitória – a desejada vitória para uma subida direta à Liga 2, ao som dos apoios dos FÃS, da MANCHA NEGRA com as suas coreografias, de todos, afinal. E será Coimbra que sobe, que se reergue e que afaga o seu ego, que será projetada como a enorme cidade do conhecimento, da saúde, da família, da alegria. Tal como escreveu o Ricardo Castanheira, nunca foi fácil, e amanhã, a equipa tem de dar o seu melhor em campo em todos os aspetos e, em concreto, conquistadora e personalizada. Depois seremos cento e cinquenta mil, talvez um milhão ou milhões a gritarmos A-CA-DÉ-MI-CA e BRI-O-SA e com um F.R.A! vibrante e estrondoso proclamado com muita cagança para agradecer a todos aqueles que apoiaram ou apoiam a BRIOSA até que a voz lhes doa. Pode ser uma espécie de preâmbulo da Queima das Fitas, concordam?
SC
Inserido no Jornal O Despertar de 15 de maio de 2026
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