ACADÉMICA/OAF, SIM OU SOPAS ?

 

A NEGRO


ACADÉMICA/OAF, SIM OU SOPAS ? 


Sem menosprezar o valor do Marialvas, o que aconteceu na primeira jornada da Taça de Portugal, em futebol, em que o aplaudido emblema de Cantanhede derrotou a Académica/OAF, trouxe à atualidade, e em concreto nas redes sociais, várias páginas de contestação, desalento e repúdio. Não conheço em detalhe a situação financeira da Académica/OAF e sei que casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão; também sabemos que o futebol profissional, nos tempos atuais, sai caro. Haverá dinheiro para contratar bons jogadores? Haverá dinheiro para trocar, no imediato, de treinador? Estas respostas seriam importantes para compreendermos o que se passa. Já em outras ocasiões expressei em O DESPERTAR o meu ponto de vista relativo à importância de que se reveste o futebol publicitando cidades e regiões. Coimbra e a Universidade ou por extensão a Academia de Coimbra tiveram, no futebol da Briosa, uma inegável e afetiva montra que ganhou adeptos em todo o país e até no estrangeiro. Há poucas décadas os estudantes de vários pontos do país mostravam a sua simpatia pela Académica, de tal forma que depois dos chamados grandes, Benfica Porto e Sporting, as pessoas diziam-se adeptas da Associação Académica. Confirmação num estudo realizado acerca do número de adeptos de clubes feito pelo jornal Record e a empresa Novadir, em 2010, revelou que a Académica era o quarto clube com mais adeptos a nível nacional. A BRIOSA é histórica e respeitada pelo que compreendo muitos dos seus simpatizantes estarem a chegar ao extremo de dizerem que, nestas condições atuais, mais vale extinguir o clube do que continuar a depauperar a identidade e o processo histórico que foi conseguido. Outros admitem que haja uma canalização de afetos e simpatia para a Secção de Futebol da Associação Académica. Esta solução, porém, pode travar a profissionalização da atual equipa sénior do Organismo Autónomo de Futebol. Atualmente, vertem-se lágrimas de saudade por presidentes e outros dirigentes que foram também históricos e congregaram apoios e prestígio. São nomes gloriosos como João Moreno,  Jorge Anjinho (com Ricardo Roque devolveu a Briosa à Academia), Paulo Cardoso, Fausto Correia, Mendes Silva, Campos Coroa e vou ficar por aqui para não esquecer outros tantos nomes também fundamentais no percurso de sucesso da Briosa. E que trago, hoje, de novo, neste meu discorrer acerca da Académica? A imprensa também deve lutar por grandes causas e seria muito interessante, se não me levarem a mal, pedir aos jornais da cidade para questionarem o público, os adeptos, os estudantes, os conimbricenses, acerca do que pode e deve ser feito para SALVAR A BRIOSA. Além de questionarem o público e aceitarem sugestões seria importante escutar os atuais dirigentes da BRIOSA esmiuçando o que seja possível saber até serem apontados caminhos ideais, se os houver. Escutar também a Faculdade de Desporto da Universidade, anteriores treinadores e dirigentes da Académica, especialistas em gestão e economia do futebol. E, acrescento, escutar igualmente os partidos políticos e os movimentos de cidadãos. Precisamos de uma ONDA NEGRA nesta fase bem negra da vida do futebol profissional da Briosa.

SC em jornal O Despertar de 5 setembro 2025

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