ZÉ PAULO, GUITARRISTA, TENOR e PROFESSOR DE MÚSICA, EVOCADO EM EXCELENTE CELEBRAÇÃO DE AMIGOS

 

GUITARRISTA, TENOR e PROFESSOR DE MÚSICA



ZÉ PAULO EVOCADO


EM EXCELENTE CELEBRAÇÃO DE AMIGOS


Uma onda de celebração de amizade pelo guitarrista, tenor e professor de música, ZÉ PAULO, inundou, no último domingo, dia 1 de março de 2026, o Pavilhão Centro de Portugal. Uma plêiade de instrumentistas de Coimbra com as suas guitarras, violas e também com o piano homenagearam JOSÉ AUGUSTO SOBRAL DOS SANTOS PAULO que partiu, subitamente, quando muito do seu talento nos podia ainda proporcionar. Esteve em várias formações musicais, mas foi na prestigiada Tertúlia do Fado de Coimbra que terá encontrado o ambiente mais apropriado ao seu estilo. Num conjunto de segmentos que marcaram esta soberba tarde musical, o Professor José Carlos Teixeira elaborou em colaboração com o Dr. Eduardo Aroso um alinhamento com oportunas e pedagógicas informações, o que permitiu acompanhar o percurso de Zé Paulo e fazemos aqui, com a vénia devida, algumas citações. Quase a abrir com António Ralha e César Nogueira, mereceu destaque a peça Procissão de autoria de António Ralha permitindo observar linhas melódicas que retratam recolhimento, devoção e movimento lentificado, um tema que Zé Paulo inseriu no seu Manual para Estudo da Guitarra. Francisco Dias, Vítor Morgado e Álvaro Aroso, em palco, evocaram o Grupo Velha Guarda Coimbrã no qual o homenageado também participou. A presença de José Castanheira mostrou a relação que este advogado teve com Zé Paulo que lhe ensinou guitarra portuguesa num convívio de vinte anos. Seguiu-se a peça Viagem, de autoria de Álvaro Aroso, composta para este espetáculo retratando os quarenta anos de convívio da Tertúlia com o Zé Paulo. A execução ficou para os irmãos Aroso e para Hugo, o mais jovem guitarrista desta família. A obra, expressiva e elegante, das Variações em Sol Maior foi tocada em palco por José Carlos Teixeira e Ricardo Silva e também por Álvaro e Eduardo Aroso.  Foi focado o percurso de Ricardo Silva que em 2005 venceu o 1º prémio da Grande Noite do Fado, em Lisboa, na classe de instrumentistas e completou com Zé Paulo o 8º grau do Curso de guitarra portuguesa. Foi igualmente recordado o percurso de José Carlos Teixeira conciliando a sua carreira universitária com uma multifacetada atividade musical e ainda a sua presença na Tuna Académica e no Grupo de Plectro de Carlos Seixas. As Variações em Ré maior foram tocadas pelo Grupo Raízes com Otávio Sérgio, Paulo Alexandre Almeida, Simão Mota, Humberto Matias e Rui Pato. Nesta tarde inesquecível e de virtuosismo da música e de músicos de Coimbra, Otávio Sérgio executou a sua Fantasia – A Espanhola, acompanhado por Simão Mota e Humberto Matias. O Grupo Raízes de Coimbra trouxe-nos a Valsa Para um Tempo que Passou de António Portugal, obra evocando memórias e afetos. Devo dizer-vos, caros leitores, que tenho uma adoração especial por este tema. Tarde deslumbrante que mais ou menos a meio contou com Rita Dourado ao piano, esposa de Zé Paulo.  Mestre em piano pela Universidade de Aveiro e conhecedora profunda da obra de Carlos Paredes, cujas criações transportou para piano, Rita Dourado tocou o Canto do Rio com os instrumentistas Eduardo Aroso, Ricardo Silva e José Carlos Teixeira. Seguiu-se a Valsa Triste que atravessa toda a geração de Paredes. Três membros da Tertúlia do Fado de Coimbra tocaram ao som do piano de Rita Dourado, Canção de Alcipe, Canção e Raiz. Escutámos depois o Canto de Embalar e Verdes Anos seguindo-se as peças Dança, Danças Portuguesas nº 1 e Introdução a Bailados do Minho.  E foi a apoteose num final com todos em palco olhando as guitarras em forma de coração nesta cerimónia de afetos, amizade, evocação e com um grande coração de conceituados instrumentistas de Coimbra proporcionando uma jornada de excelência em arte musical e sublime estética. A homenagem ao talentoso ZÉ PAULO foi de uma grandeza musical notável e inesquecível. Nos braços da Rita Dourado um ramo de rosas perfumou esta enorme saudade que se sentia e sente. Um perfume exalado por tanta arte e por tantos artistas a tocarem a genialidade e abraçando o saudoso ZÉ PAULO.

SC

Publicado no Jornal O Despertar a 6 março de 2026

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