VOLTA GRAVATA, ESTÁS PERDOADA

 


VOLTA GRAVATA, ESTÁS PERDOADA

 

Nos dias de hoje um grande número de cavalheiros, ostenta um farfalhudo lenço no bolso de peito do casaco embora alguns também apresentem o modelo bicudo. Muitos comentadores televisivos que agora estão em foco, entram na moda do desengravatamento e andam a ficar DESENGRAVATADOS. 

Esta tira estreita e longa que dá pelo nome de gravata aperta o pescoço, ou antes, compõe o pescoço. Por mim, especialmente no inverno, gosto de me engravatar porque protejo o pescoço do frio. Esta peça de vestuário masculino terá sido introduzida pelos croatas embora se admita ter origem na China como cachecol com um nó à volta do pescoço. Traduzido à letra, olhando a língua francesa, tapa ou guarda o pescoço. Assim, finalmente, neste inverno que agora começa, presumo que a gravata terá alguma possibilidade de voltar a ocupar um lugar privilegiado e já não vou sentir-me deslocado por estar muitas vezes engravatado.

 Verifico, ainda, que há protagonistas inconstantes da vida social e profissional que aparecem com lencinho no peito ou alguns talvez poucos com gravata a preceito e muitos apresentam-se  desengravatados. Curioso: quase todos os que acompanham o líder põem ou tiram gravata, põem ou tiram o lenço, consoante esse líder tem isto ou aquilo ou não tem nada. Podemos assim ousar fazer um levantamento sociológico e ideológico do uso de gravata, como também do lenço ou do colarinho…desapertado… à larga. 

Também há a exceção do laço, produto menos visto, mas cada vez mais curioso e atrativo.

 Uma boa fatia de homens, talvez mais vanguardistas e despreocupados, estarão indiferentes a estes adereços masculinos. Por mim, reafirmo, que se lixe a moda, e se puder usar gravata, pelo menos no inverno, sinto-me reconfortado. 

Podem pensar que sou especialista em gravatas, mas devo clarificar “nem pensar” e embora saiba que há vários nós de gravata e cada um deles com nome próprio, o meu nó de gravata foi o que aprendi em tenra idade e é sempre o mesmo e em todas as gravatas. Já estão preparadas com o respetivo nó e prontas a engravatar-me. 

Pelo que escrevo sinto-me autorizado a usar gravata pelo menos neste inverno que está a entrar, provavelmente, sem me sujeitar ao que me dizem em casa: “tão encasacado e engravatado pareces um velho”. E sou, embora mais novo do que O DESPERTAR onde publico estas crónicas, jornal que tanto se engravata, quando necessário, como se pode apresentar de fato-macaco o que não confere direito a gravata, mas é roupa que honra quem a veste. E para si, caro leitor, use gravata lenço ou colarinho despertado desejo-lhe um inverno suave.

 

 


 

 


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