NATAL COM MÚSICA MACHADO SOARES CANTA FERNANDO PESSOA
NATAL COM MÚSICA
MACHADO SOARES CANTA FERNANDO PESSOA
O leitor vai prometer-me que irá ler este meu texto acompanhando
a canção de matriz coimbrã, intitulada NATAL, na voz de Fernando Machado
Soares. A poética é de Fernando Pessoa. Vai encontrar a canção em:
https://www.youtube.com/watch?v=lDmXszychyY
Vá escutando a canção que começa com o guizalhar dos sinos. Repenicam
num tom dolente, comovente, apelativo, mas dando-nos a viver o ambiente
natalício. A música instrumental é tocada por Ramon Galarza. Há um coro
celestial com as vozes delicadas e doces de crianças e jovens. Solta-se, num ar
de sentimentalidade, a voz de Fernando Machado Soares, como solista. Reproduz
Pessoa-poeta com a imagem da neve pela província cheia de tradições nesta época
de festa da família que se deve unir sempre e fortemente no Natal. Lares
aconchegados. Neste presente estão representações do que se vivia. O passado. O
madeiro arde no adro. A missa do galo. A fraterna presença de todos
aconchegados nesta ambiência que a época proporciona. Ouvimos a música e a voz
que nos sensibilizam: estamos a viver nataliciamente. Por Coimbra, pela
Figueira, pelas cidades da nossa região há o colorido festivo dos adereços
natalinos, mas, aqui ou pelo Portugal profundo, pela província, há neve, e, às
vezes, solidão; e muita falta de coesão neste país verde rubro.
Voltam os sinos a tilintar. A importância da família
adensa-se neste tempo de Natal. Contudo, o poeta, pela voz do cantor, expressa
pensamentos evocando a saudade que nos leva melancolicamente à solidão. A neve
cai. E são tantos os conimbricenses, os beirões e os portugueses que vivem sós,
e não só quem está na província profunda. São poucos os apoios e pouca ou
nenhuma a companhia humana. Nostalgia. E o sentimento agre de quem não tem uma
família neste tempo de encontros e reencontros familiares. Há, infelizmente, corações
opostos ao mundo. Solidão ainda mais
sensível, temida, penetrante e cortante nesta época de Natal, seja na cidade ou
nas aldeias recônditas. Atualmente, na província despovoada ou a caminhar para
um deserto populacional, até escolas primárias encerraram e outras deram lugar
a lares de terceira idade. Tanta gente em solidão e a sonhar saudade.
Branca de graça é a paisagem dos últimos dias e há quem esteja,
apenas, a espreitar a vida para além da vidraça perdendo oportunidades de uma
comunhão plena com o Outro, sendo-lhe negada uma eficaz socialização. Muitos,
nunca terão o lar sonhado. A canção está quase a terminar, mas fica a sua
mensagem na nossa memória afetiva: bom
seria que pudesse inundar os corações dos portugueses.
Desejo aos nossos leitores que meditem neste belo poema pessoano
(NATAL) e nesta bela canção coimbrã servida pela voz de Machado Soares. Peço-vos
que anulem solidões, e se esforcem por fazerem dos Amigos uma família - e da
Família um exercício de transparente e sólida verdade e apoio. Vamos acolher
todos aqueles que sofrem com dores de solidão.
BOAS FESTAS e, já agora, ofereçam, além de amizade, música de
Coimbra: é um belo presente de Natal.
Nota: Desejo que tenha lido este texto acompanhando a canção
NATAL.
SC
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