PADRE AMÉRICO, A REVOLUÇÃO DA TERNURA
Hoje,
faria 139 anos
PADRE
AMÉRICO, A REVOLUÇÃO DA TERNURA
Eu era um miúdo e contemplava com franca admiração o magote
de rapazes que acompanhavam o Padre Américo, para eles o PAI AMÉRICO, dos Bujos
até à estação da CP de Miranda do Corvo. Nas suas vestes largas, largo sorriso,
acenava com paternal correspondência ao rancho pueril e puro que soltava
emotivos gritinhos de alegria farta, forte, frenética. Dentro do gabinete do
meu pai, chefe da estação, colado ao guichet, visando o largo fronteiro, PAI
AMÉRICO, já com o bilhete de comboio comprado, abria em semicírculo as mãos aos
seus RAPAZES, num adeus também largo, forte e alegre. Rumava a Penafiel ou para
Coimbra, destinos que a minha memória não fixou com exatidão, mas fixei para a
eternidade aquela TERNURA imensa. No decurso dos anos fui acompanhando a OBRA
DO GAIATO, a Obra da Rua, fundada por este inesquecível sacerdote e educador
que apenas aos 42 anos se fez padre em Coimbra, depois de vários anos em
Moçambique apoiando os pobres, e quase trinta anos após ter dito aos seus pais
que desejava ser sacerdote.
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Completam-se hoje, 23 de outubro de 2026, 139 anos do
nascimento do Padre Américo, de seu nome completo, Américo Monteiro de Aguiar.
Nasceu em Galegos, Penafiel. Caminha para a beatificação. Já é Venerável desde
2019 quando o Papa Francisco reconheceu as suas virtudes. Será beatificado e, por
certo, santificado. Espera-se, para isso, um milagre, uma cura cientificamente atestada
é o que me disse o Padre MANUEL MENDES, atual responsável pela Casa do Gaiato
dos BUJOS, em MIRANDA DO CORVO, e pelo Lar Universitário de Coimbra, também
obra na esfera desta entidade humanitária. Trinta rapazes pertencem à Casa do
Gaiato na nossa região. Acolhem, igualmente, mais de uma dezena de timorenses.
Tal como o Pai Américo preconizou no seu modo de admirável e de afetuosa TERNURA
o objetivo da obra continua a ser o mesmo e exemplar: o serviço aos rapazes,
aos desfavorecidos, aos doentes, aos pobres. E um foco, também, na integração,
na dignidade da vida familiar e na solidariedade social.
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O
Padre Américo estudou no Seminário, em Coimbra, onde foi ordenado. Esteve em
várias paróquias e orientou diversas obras de beneficência pelo concelho, com
destaque, como responsável durante alguns anos, pela Sopa dos Pobres. Coimbra,
tal como o país, muito devem a este BENFEITOR. Tudo o que se diga de bem
fica aquém do bem que fez. Faleceu, há 70 anos, na sequência de um grave
acidente de viação, em julho de 1956. O jornal O GAIATO, agora também em edição
online, as CASAS DO GAIATO, os seus rapazes de hoje e os de ontem, estes, agora,
cidadãos adultos marcados pela exemplaridade e pelos nobres valores atribuídos
pelos preceitos do Padre Américo, são os continuadores e o reflexo deste
benemérito projeto. Tal como escreveram e subscrevo: PAI AMÉRICO fez a
REVOLUÇÃO DA TERNURA. Alegre, farta e
forte.
Sansão Coelho – HISTÓRIAS
Hoje, no jornal “O Despertar”
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