Livro “ARRUFADAS DE COIMBRA” de João Vitalino Ribeiro Martinho
Livro “ARRUFADAS DE COIMBRA” de João
Vitalino Ribeiro Martinho
Há quem escreva pela paixão de um passado inapagável. Coimbra, com
a sua magia e uma vida académica que toca a corda sensível, foi motivo de
inspiração ou uma espécie de reviver o passado na Lusa Atenas para o professor JOÃO
VITALINO RIBEIRO MARTINHO de Espinheiro-Alcanena. Aos 97 anos decidiu, recentemente, por em
letra de forma, histórias giríssimas que viveu em Coimbra, enquanto estudante, mas
escreveremos mais à frente acerca desta sua publicação intitulada ARRUFADAS DE
COIMBRA.
RADIOAMADOR LONGEVO - Importa
referir que JOÃO VITALINO é o radioamador mais longevo do país e iniciou-se em
Coimbra onde construiu galenas e terá sido dos primeiros a
sintonizar por cá as emissões da BBC e a falar com outros radioamadores
espalhados pelo mundo. Ao verificarmos, na atualidade, a omnipresença dos média
em plena instantaneidade e globalização que não era prática há cerca de um
século ou pouco menos, a ação comunicacional de João Vitalino vem mostrar a
evolução da Comunicação. Também as histórias académicas de hoje são muito
diferentes das que viveu e relata João Vitalino, mas têm um sabor a uma Coimbra
de sempre, a tal marcada pela sempiternidade num inultrapassável espírito
académico com “argúcia, aventura, descaramento, boémia, fado, estudos,
formaturas, rasganços” palavras soltas inscritas na capa e sob o título deste
livro. É impossível resumir todas as histórias que o autor nos narra, mas vou
destacar, em súmula, algumas:
MOBILIZADORES É QUE FORAM GOZADOS - Um caloiro é mobilizado para
fazer uma declaração de amor a uma senhora que ia a passar. O caloiro pede
desculpa e a senhora diz então faça a declaração. O pseudo apaixonado emitiu
muitas futilidades, mas no final a senhora convida-o a lanchar com ela na
pastelaria em frente e após o lanche entrega-lhe o seu cartão de visita onde
consta ser Professora na Faculdade de Letras e, assim caloiro e convidada gozaram
a dupla de mobilizadores.
NA TASCA DO MASOQUISTA - O Masoquista, dono de uma taberna, gozava
com os estudantes que ali iam petiscar porque o vinho era uma zurrapa. E
perguntou o Masoquista para um estudante a desequilibrar-se: Então, senhor
doutor, o vinho caiu-lhe mal? Resposta do estudante: oh sua besta o vinho cai
sempre bem nós é que às vezes caímos mal.
NO SOUSA BASTOS - O velho cinema Sousa Bastos não era para
senhoras, havia um ruído constante do descascar de pevides e de amendoins e a
assistência fazia o espetáculo. No filme apareceu uma cena em que o namorado
era pouco reativo e ouviu-se” dá Deus nozes a quem não tem dentes” e logo outro
estudante respondeu “e dá dentes a quem não tem nozes”
O PERU DO COMANDANTE - Surrupiado o peru de um comandante da
Polícia para servir de repasto numa República o caso foi para tribunal. O juiz
leu a sentença e condenou o réu e estudante a sair de Coimbra durante 60 dias. O
réu pede ao juiz para usar da palavra e proclama: Meretíssimo Juiz com esta
expulsão V.Exª acaba de me equiparar a Camões que me antecedeu em pena
idêntica. Fico grato pela honra, muito obrigado. O juiz, a tapar a boca para
disfarçar o riso, encerrou a audiência e a situação ficou conhecida pelo Caso
do Peru do Comandante.
Este livro é de leitura quase obrigatória e é uma edição do
Município de Alcanena com os diretos de autor a revertem para a Casa do Povo de
Espinheiro.
SC
Comentários
Enviar um comentário