CALOUSTE GULBENKIAN, DE MIRANDA A VISEU E À FIGUEIRA

 

A propósito dos 130 anos do nascimento do Dr. JOSÉ AZEREDO PERDIGÃO


CALOUSTE GULBENKIAN,

DE MIRANDA A VISEU E À FIGUEIRA DA FOZ

 

Há 67 anos, concretamente a 10 de setembro de 1959, começou a funcionar pelo concelho de Miranda do Corvo e região a Carrinha nº 18 da Fundação Calouste Gulbenkian. Foi seu bibliotecário o professor Vítor Seixas Gomes. Teve como motorista António Marta Ferreira que esteve várias décadas ao serviço desta biblioteca, dos leitores e da comunidade. Este serviço da Gulbenkian veio a terminar, mas foi continuado, em boa hora, no ano de 2001, pela Fundação da ADFP (Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional) com a BIBLIOMÓVEL e passou a servir concelhos vizinhos ao de Miranda levando livros diversos para leitura e empréstimo gratuito e quebrando isolamentos sociais, além de ser um veículo adaptado a pessoas com necessidades especiais. Notável, pois, a ação da entidade referida, a ADFP, que fez uma aplaudida aproximação aos tempos atuais. Recordo-me de ter sido, por volta dos 9 aos 12 anos, um utente da biblioteca itinerante e tenho na memória a imagem da carrinha Citroen, cinzenta, que estacionava na praça principal perto do edifício da Câmara Municipal. Formaram-se novos leitores num país que tinha então elevado analfabetismo e abriram-se novos horizontes culturais e sociais o que não agradava à Censura da época. A Fundação Calouste Gulbenkian teve como administrador o Dr. JOSÉ AZEREDO PERDIGÃO, viseense, figura cimeira da cultura portuguesa, espírito aberto e democrático. E, caros leitores, celebram-se hoje, dia 11, 130 anos sobre o nascimento, em Viseu, do Dr. Azeredo Perdigão que foi advogado pessoal e de fundamental importância junto do milionário arménio Calouste Gulbenkian que se refugiou em Portugal país onde imperava a paz. A dedicação, profunda confiança e o excelente apoio de Azeredo Perdigão sensibilizou Gulbenkian a deixar as suas valiosas obras de arte e ativos financeiros no nosso país numa Fundação.  O advogado viseense, membro da direção da Revista Seara Nova, Conservador do Registo Predial em Lisboa e administrador de várias sociedades, mais tarde Doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra, teve um papel fundamental na criação da Fundação Calouste Gulbenkian e foi seu administrador desde a primeira hora. A missão da Fundação Gulbenkian na Cultura, nas Artes, na Música, na Ação Social e em bibliotecas itinerantes como aquela que utilizei em Miranda contribuiu para o desenvolvimento de Portugal e nas últimas décadas tem sido uma vanguarda cultural. Viseu vai assinalar nestes dias a efeméride deste seu ilustre filho. Associo-me à homenagem. E a Figueira da Foz também entra nesta temática pois, natural da Cidade Praia, MADALENA DA SILVA BISCAIA AZEREDO PERDIGÃO, filha do republicano Severo Biscaia, licenciada em Matemática pela Universidade de Coimbra, casou com AZEREDO PERDIGÃO em 1960. Mulher de ampla visão e elevada formação cultural, teve um papel fortíssimo na vida do nosso país, da música às artes, sendo difícil enumerar os projetos e associações a que esteve ligada, mas recorde-se que em Coimbra presidiu ao Círculo de Cultura Musical, esteve no TEUC – Teatro de estudantes da Universidade e integrou a lista de Coimbra do Conselho nacional da Mulheres portuguesas, aliás, em 1988 foi distinguida com o prémio Mulheres da Europa. Do canto a programas sobre a grande música na Emissora Nacional, Coordenadora do Ensino Artístico, criação do Acarte e do Centro Artístico Infantil, Madalena Perdigão foi um dos nomes prestigiados na sua área e foi dinâmica colaboradora na Fundação Gulbenkian.

                                                                          ***

Temos, pois, de nos regozijar com a efeméride do impulsionador da Fundação Calouste Gulbenkian, Azeredo Perdigão, nos 130 anos do seu nascimento. O nome Gulbenkian marcou fortemente a minha adolescência em Miranda do Corvo e este incontido prazer da leitura. Estou grato.

Sansão Coelho em O Despertar de 11 de setembro de 2026



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