NA EREIRA DO POETA AFONSO DUARTE E NO PARQUE VERDE DO MONDEGO

 ENCANTOS DE VERÃO


NA EREIRA DO POETA AFONSO DUARTE

E NO PARQUE VERDE DO MONDEGO

 

É invulgar estar numa praia às cinco da tarde a escutar os sinos da Igreja a anunciarem a hora ao som da Avé Maria, do Treze de maio. Evoquei de imediato AFONSO DUARTE no seu poetar:


“Por teu ventre começa a minha vida,

Por teus olhos a estrela que me guia.

Amor, que Deus te salve! – Avé Maria

Cheia de Graça ó Bem-Aparecida”.


Aconteceu no ESTEIRO DA EREIRA – PRAIA FLUVIAL, na freguesia da Ereira, no concelho de Montemor-o-Velho. É um braço de água doce a ser abastecido pelo caudal de rega do Mondego. Ainda há poucos meses a Ereira era circundada por água em excesso (também a designam ILHA DA EREIRA) devido às cheias e reclamando a presença dos fuzileiros para transportarem de barco a população para os seus afazeres. Estas recentes cheias, de má memória, talvez tenham contribuído para fertilizar os campos dos arrozais os quais agora explodem numa forte, encantadora e expressiva tonalidade verde que parece mágica. PRAIA DA EREIRA é uma visita obrigatória no plano turístico e de veraneio que nos enche a alma em festivo regozijo visual.  Ali fomos dar uns mergulhos de verão e entre o idílico do fresco ambiente natural encontrámos um vasto conjunto de serviços como instalações sanitárias, balneários, primeiros socorros, polidesportivo, plano de água, zona de lazer, bar com vasto serviço, areal, estacionamento e, obviamente, entre outros mais, a praia com bandeira azul. Há um cartaz com diversas indicações inclusivamente referindo que a natureza tem memória e a pedir aos utentes para deixarem uma marca positiva. Até os cinzeiros produzidos pela Escola Profissional de Montemor marcam pela sua rusticidade e criatividade numas grades onde está inscrito: Ao entrar traga alegria e ao sair deixe saudade. O poeta AFONSO DUARTE, natural desta acolhedora e solidária localidade, enche o coração das gentes da EREIRA em rua com o seu nome, uma associação de que é patrono; e poemas que a memória nos traz quase à tona, e por que não à tona de água? Com o curso de ciências físico-naturais pela Universidade de Coimbra, Joaquim Afonso Fernandes Duarte destacou-se como professor, poeta e como pedagogo; ainda pela sua incursão na arte popular, na etnografia, na vida animal e agrícola. De uma profunda sensibilidade poética, Afonso Duarte é um dos maiores nomes do concelho e da região, além de nome nacional, e uma escultura em sua honra parece contemplar também o Esteiro da Ereira, assim como uma estátua em honra do pescador localizada antes da ponte, no principal largo. Quase apetece convidar as esculturas a um mergulho deixando o seu ar solenemente petrificado. Depois do que vi, neste tempo de verão, é quase obrigatório conhecer e dar um mergulho nas águas sossegadas da Praia Fluvial no Esteiro da Ereira. Informo que a lampreia, cartaz da vila, é servida por norma nos primeiros meses de cada ano. E esta é a catedral da lampreia.  Agora privilegiamos um sumo, um gelado de preferência sem açúcar, uma cerveja sem álcool a acompanhar uma febra grelhada na churrasqueira local. Água agradabilíssima. Bandeira Azul, como já escrevemos, e o selo de Qualidade de Ouro da Quercus. Entrada gratuita, que bom!

 

NO PARQUE VERDE DO MONDEGO

 

Por uma questão de segurança não sugerimos um mergulho, mas neste tempo de veraneio um dos lugares prediletos para os conimbricenses parece ser, e justificadamente, o Parque Verde do Mondego. Não é praia, mas é uma explosão de lazer e mansidão…e um admirável plano de água. Um exercício de sentimentalidade. Tal como Pedro abraçou Inês, a multicolorida ponte a que dão o nome, abraça as duas margens do pátrio e prateado Mondego. Agora o Munda corre mansamente e um bando de patos exibe o seu grasnar melódico colaborado pelo chilrear de uma ou outra ave a buscar a sombra, no choupo, tal como nós. Deitei-me sobre a relva com os pés quase a tocar as águas e sob o olhar interrogativo do esverdeado urso icónico. Há outros frequentadores, gente jovem naquele momento a por a leitura em dia ou entregue nos braços de Morfeu, em hora de sesta. Estamos na margem direita que tem várias esplanadas e gelataria. O Pavilhão Centro de Portugal é um pilar de cultura. Há quem faça caminhadas ou cicloturismo. Em frente, na outra margem, observamos parques de merendas e várias infraestruturas para desportos náuticos e há quem mergulhe ou dê umas braçadas. Eis o barco Bazófias a sulcar turisticamente o rio num som mecânico e cadenciado. Em sossego, entrecortado a espaços pelos seus risos de contentamento e aventura, um grupo de jovens, em exercícios de equilíbrio, desliza em caiaques e canoas remando prazenteiramente. Há muita cor e o sol surge em ziguezague nas suas aparições entre a copa das árvores. Tão fresco e tão agradável! O Parque Verde do Mondego não é praia, mas é símbolo cimeiro do verão conimbricense. Escrevo menos acerca deste Parque do que alinhavei acerca da Ereira, mas cada um destes merece…um ensaio. E a visita é fundamental.

 

SC no jornal O Despertar de Coimbra a 24 julho 2026

 

 

 


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