DEMONÍACA KRISTIN - E FALANDO DE PREVENÇÃO

 

DEMONÍACA KRISTIN 

E FALANDO DE PREVENÇÃO

 

Ainda hoje tenho na memória um relato do meu avô paterno que me contava, sempre com alguma exuberância, e era eu um miúdo - o que me levava a pensar ser fantasioso -, que no ciclone de 1941 estava na Praça da República, em Montemor-o-Velho, e tinha andado pelo ar perante a força do vento. Um ciclone que provocou cerca de 100 mortos e centenas de feridos. Tantos anos depois do seu relato, envolvo a narrativa em realidade perante o que vi do furacão Leslie, de setembro de 2018, e da mortal depressão, ciclone-bomba, Kristin, de anteontem de madrugada, esta a originar, pelo menos cinco mortos e dezenas de feridos e que tombou árvores e estruturas, arrancou painéis solares e alguns telhados e até provocou, e destacamos, prejuízos em avionetas e no campo de aviação de Cernache, numa fábrica da Figueira e no Estádio do União de Leiria. Este eixo Coimbra-Montemor-Figueira e com extensão até à cidade do Lis foi uma das zonas que sentiu, dolorosamente, os piores  efeitos da depressão prevista. E foi anunciada com parangonas e avisos por sms e outros meios para que a população tomasse as devidas medidas preventivas. Isto de PREVENÇÃO, contudo, nem sempre convive bem com os portugueses, os quais, no meu entender, deviam realizar mais e regulares simulacros e conhecerem de cor, de coração aberto, as diversas medidas preventivas. Ou seja: realizarem ações a serem tomadas de forma antecipada procurando evitar perigos e consequências desastrosas que podem ser mortais. Enquanto jovem terei sido cativado para um simulacro de incêndio, presumo que apenas uma vez. Na fase adulta não me recordo de nada equivalente. Retomando o fio à meada: aquando do Leslie observei uma tábua relativamente grossa com cerca de um metro quadrado a voar por uma rua e, felizmente, poisou sem causar problemas. Agora, com a Kristin, escuto que alguém que se encontrava dentro de uma carrinha, na Figueira, e sentiu que a viatura se elevou do solo, talvez poucos centímetros, mas o suficiente para assustar. Aliás, naquela área, a Roda Gigante caiu e ficou destruída. Hoje, comecei por evocar a estória relatada pelo meu avô e admito que não efabulou, e apenas contou a realidade, talvez para que no futuro eu pudesse pensar por antecipação, em eventuais problemas para não falar em admissíveis catástrofes. Isto é: procurou sensibilizar-me para a prevenção.

Prevenir é CHEGAR ANTES; é estar à frente do eventual mal ou problema.

No capítulo da SAÚDE considero que a prevenção primária é sumamente importante como se constatou com a vacinação para combater a COVID. Pergunto: quantos portugueses poderiam ter morrido, além dos que faleceram, se não tivéssemos vacinado milhares de cidadãos e por mais do que uma vez?  A Prevenção em saúde abrange diversas áreas e passa igualmente por se atuar de forma antecipada promovendo hábitos salutares, vacinações, exames regulares, exercícios físicos e dieta. No entanto, ainda temos, infelizmente, algumas poucas pessoas que estão contra a vacinação.

A PREVENÇÃO está em todas as áreas e em toda a parte. Hoje também têm evoluído aspetos relativos a SEGURANÇA NO TRABALHO o que permite eliminar diversos riscos no quotidiano laboral.

Temos, pois, de nos habituarmos a cultivar a PREVENÇÃO e a SEGURANÇA e não podemos esquecer que as ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS, a surpreenderem cada vez mais com nocivos e tenebrosos episódios, podem gerar, subitamente, novas e catastróficas depressões ou fenómenos deste teor. Na estrada, em Portugal, com um panorama negro em acidentes motivando centenas e centenas de mortes e de milhares de feridos, a prevenção deve ser cada vez mais sólida e frequente. Estes infaustos resultados são obscenos e indignos de um país europeu. Porém, somos uma nação onde continuam os tais  brandos costumes, e se não aumentarmos os nossos exercícios de PREVENÇÃO E SEGURANÇA, provavelmente, continuaremos a pensar, erradamente, como eu pensei durante décadas, que as histórias e estórias dos nossos avós servem apenas para nos encantarem.

SC

Inserido no jornal O Despertar, de Coimbra a 30 janeiro de 2026

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