FALECEU O DR. EDGARD PANÃO. De Miranda do Corvo a Aveiro, de Estarreja a Timor Lorosae, curvemo-nos perante a sua memória

 


FALECEU O DR. EDGARD PANÃO


DE MIRANDA DO CORVO A AVEIRO, 

DE ESTARREJA A TIMOR LOROSAE,

CURVEMO-NOS PERANTE A MEMÓRIA DE UM GRANDE HOMEM


Ao tomar conhecimento,  a 18 de julho de 2025, do falecimento do doutor Edgard Panão, deixo aos meus amigos o esboço do prefácio  que escrevi  a seu pedido para uma COLETÂNEA das suas obras a qual estava em fase final. 


"Na esteira dos grandes e épicos narradores como Camões e Fernão Mendes Pinto encontramos, num estilo gerador de algumas semelhanças, a produção literária do Doutor EDGARD PANÃO. Aqueles ínclitos narradores de feitos portugueses e de ousadas aventuras pelos vários cantos do mundo que viveram no século XVI podem-nos servir de farol para introduzirmos mais uma obra do autor, autoconsiderado mirandense, porém, natural do vizinho burgo de Penela. O Doutor PANÃO, fidelíssimo ao ponto de vista do nosso Eduardo Lourenço, filósofo e ensaísta, fez de Portugal um barco em viagem embora tenha sulcado mares prenhes de lusofonia. Terá guardado relatos da sua postura como docente e diretor de Escolas em terras africanas e até da sua função paragovernativa em Timor Lorosae. Foi uma vida de dedicação hercúlea ao ensino a qual se completou com novas funções de reitorado e direção académica em Leiria e em Aveiro. Alcançado o justíssimo estatuto de aposentação, eis que o Doutor EDGARD PANÃO passa a dedicar o seu tempo à produção literária que é vasta e multidisciplinar guardando, entre vários, nacos de factualidade para historiar Miranda do Corvo e a sua Família. Também o nosso herói de viagens, digamos, os nossos heróis de viagens, Fernão Mendes Pinto e Luís de Camões, percorreram geografias íngremes, foram soldados e tiveram muitas outras missões o que lhes permitiu, após o regresso à pátria, relatarem as suas odisseias. Tal como está a fazer o Doutor EDGARD PANÃO que entre os seus 70 anos e a idade atual, perto de ser centenário, aproveita a sua faceta longeva para nos mimosear com joviais narrativas, memórias, exercícios líricos e também alguns de tom memorialista que preenchem vazios na História da Literatura, na História do Ensino, na História da Família, na História de Miranda do Corvo, na História da República. Também há estórias, dos tempos de meninice que não foram fáceis; foram histórias descalças, vestidas por crises de épocas, mas que são agora dulcificadas pela saudade “Pelo doce calor e os beijos da Mãe /Longa saga na meninice começada/ E o passado da vida ainda lembrada”.

                                                                          ***

Tantas foram as obras já escritas, com reflexos do seu passado, ainda lembrado, até ao fresco presente, que numa espécie de sistematização e catalogação é agora publicado CRESTOMATIA DE AUTOR. Estamos perante uma antologia de textos que são, cada um de per si, um cartão de visita ou introdução ou até de filiação das várias obras deste fecundo e admirado professor e autor mirandense. O Doutor EDGARD PANÃO tem de ser lido e estudado e neste novo livro-catálogo, municiado por  excertos com vários géneros literários, compreenderemos a vida do Autor, do Narrador, de um Protagonista sensível e erudito, soldado na luta por um ensino de qualidade com obras bordejadas por uma história de vida e de identidades, pelo seu habitus, dito capital cultural incorporado e cujo cartão de cidadão ou bilhete de identidade vitalício é, agora, esta CRESTOMATIA DE AUTOR".


Curvo-me perante Memória deste ilustre Professor.

MIRANDA DO CORVO, AVEIRO, ESTARREJA, TIMOR LOROSAE, a CULTURA PORTUGUESA e a HISTÓRIA estarão de luto. 

Sansão Coelho, 18 de julho de 2025

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