A DESIGUALDADE DA VACINAÇÃO MUNDIAL, artigo do DR. TOCHA COELHO

 Escreve o DR.TOCHA COELHO


A DESIGUALDADE DA VACINAÇÃO MUNDIAL

 

As fronteiras estão a fechar-se não só pela pressão da pandemia do Covid-19, como pela aparição de uma nova variante do vírus batizada com o nome de Omicron, identificada inicialmente na África do Sul e que já chegou à Europa, à Ásia e à América do Norte. Numerosos países suspenderam as ligações aéreas com diversos estados da África Austral, embora a propagação da variante ainda não tenha assumido um carácter que eventualmente pudesse justificar tais medidas que resultaram, além do mais, do facto de tratar-se de uma tentativa de ganhar tempo sobre o vírus, enquanto as suas variantes desconhecidas, relativas ao perigo ou á sobrevivência face as vacinas já administradas, não venham a ser levantadas pelo facto de estar a ser tentada uma resposta que evite incertezas, desorganização e ansiedade planetárias. No estado atual dos conhecimentos da comunidade científica ainda é muito cedo para saber se uma campanha de vacinação eficaz na África Austral teria podido evitar a emergência da variante Omicron. Mas parece estar adquirida uma resposta no sentido de que a equidade na distribuição e administração de vacinas é um dado crucial de eficácia à escala mundial. Submetidos à pressão da opinião pública, os países mais desenvolvidos responderam que pretendem que os efeitos pandémicos do vírus e suas variantes não venham a agravar mais a situação.

Vários obstáculos se levantam contra o objetivo de uma vacinação mundial. Enquanto os stocks que existem nos países desenvolvidos, onde as campanhas de vacinação estão num bom caminho, a escassez continua a ser a regra nos países pobres, onde 3% da população só dispõe de um esquema de vacinação completa, em contraste com mais de 60% no primeiro grupo.

O objetivo de 40% de pessoas vacinadas no mundo no fim do mês de Dezembro, fixado em Setembro pela OMS, é ambicioso, mas insuficiente. Entretanto a China prometeu ajudar com um milhão de doses os países do continente africano, em contraste com a conduta de outros países desenvolvidos que adquiriram vacinas que não chegam a utilizar, nomeadamente os Estados Unidos e a União Europeia. O aprovisionamento não é para já o único problema. O objetivo de uma vacinação mundial supõe utilizar enormes desafios logísticos. É também de salientar a confiança na aplicação da vacina nas zonas atrás referidas.

Deixar centenas de milhões de mulheres e homens fora da tomada da vacinação, não é, portanto, uma opção. A nova batalha de não proliferação, levada contra o vírus não poderá ser ganha enquanto a vacinação mundial não tenha progredido de maneira significativa eliminando os reservatórios potenciais de infecção, o que vai ao encontro e ao interesse de todos.

Jorge Tocha Coelho

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