COIMBRA MERECE QUE LHE FAÇAM FESTAS

 

 

COIMBRA MERECE QUE LHE FAÇAM FESTAS


Está a ganhar força o desejo de ser concretizada uma maior autonomia para o país que se encontra fora das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Ainda hoje fico perplexo perante a dificuldade de alguns políticos em pedirem a REGIONALIZAÇÃO. Há regiões, como é ocaso do CENTRO DE PORTUGAL, que têm sofrido e perdido ante a macrocefalia das duas grandes cidades. Pela nossa região perdemos força política e perdemos políticos com capacidade de fazerem ouvir a sua voz nos centros de decisão. Tive conhecimento, recentemente, de duas posições assumidas publicamente, começando por VASCO ESTRELA, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro que terá defendido uma DISCRIMINAÇÃO POSITIVA para o Interior. Também na Figueira da Foz, SANTANA LOPES solicitou uma maior autonomia para a sua zona de ação dizendo que a Figueira “tem de ser (…) gerida como uma região autónoma”.

Portugal tem um histórico de país municipalista. O municipalismo teve origem antes do tempo da fundação do Reino com as comunidades locais em busca de modelos organizacionais já que falhava, na época, o poder central. Nos séculos XII e XIII temos um efetivo reconhecimento dos municípios com estes a contribuírem para a coesão territorial e social, gerando identidades. Parece-me que o período áureo do municipalismo está a afastar-se, após a vitalidade que teve nos anos 80 e 90 do século passado. Olhando para o todo nacional continuamos a ver Lisboa a superar-se ante os outros municípios. Recentes notícias dão conta de que até os salários em Lisboa estão cerca de trezentos euros acima dos do resto do país sendo que a capital concentra a maioria das empresas e dos trabalhadores. Coimbra pode e deve procurar “corrigir” a macrocefalia lisboeta.  Coimbra foi a primeira capital do reino, é cidade do conhecimento, da saúde, da amizade e da família. Em tempo das festas de Coimbra e da Rainha Santa Isabel com um programa a homenagear a cidade e os seus habitantes, urge pensar cada vez mais a nossa cidade como “CABEÇA E CORAÇÃO DE PORTUGAL”, arrancando rumo a um progresso que tem de passar pela REGIONALIZAÇÃO ou por um mais aprofundado exercício de Descentralização.

Estou, ousadamente, a opinar numa área em que há especialistas em Coimbra que se podem e devem manifestar e têm de fazer mais pela cidade e pela região e terão de indicar pistas e ações  a serem seguidas pelos políticos.

Coimbra merece que lhe façam FESTAS.

SC

Inserido no jornal O DESPERTAR a 3 julho 2025

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