HERÓIS-PRESIDENTES DA BRIOSA

 


HERÓIS-PRESIDENTES DA BRIOSA

 

Antes de falecer, e na ocasião internado nos Hospitais da Universidade de Coimbra, o médico JOÃO MORENO concedeu-me uma entrevista que veio a ser publicada no jornal A BOLA. Não foi uma troca de pontos de vista, nem podia ser; nem um registo sintético de opiniões. FOI UMA ENTREVISTA TESTAMENTO de quem mais anos esteve a presidir aos destinos do FUTEBOL DA ACADÉMICA e a viveu, intensamente, desde os tempos de jovem estudante até ao prestigiado médico e dirigente hospitalar que foi. Provavelmente, vou pedir à nossa dinâmica Diretora Lina Vinhal que nos autorize a apresentar, mais para a frente, nestas colunas de O DESPERTAR, o resumo da citada ENTREVISTA TESTAMENTO. Não são apenas TESTEMUNHOS, pois isso seria narrar o muito que o Dr. Moreno presenciou ou dar provas a comprovar algo. Não! O que João Moreno nos disse foi como deixar um TESTAMENTO para os vindouros. Os contextos alteraram-se profundamente, contudo, julgo que ainda vale a pena atentar nos ensinamentos deixados pelo presidente mais longevo dentre os vários que têm servido a BRIOSA e, implicitamente, têm contribuído para o prestígio e projeção de Coimbra. Temos novo presidente, o médico dentista JOAQUIM REIS que já exerceu um lugar de responsabilidade como foi a vice-presidência entre 2014 e 2016. À sua frente está um caminho muito difícil, espinhoso, mas a sua vontade de constituir uma SAD (Sociedade Anónima Desportiva) COM EMPRESÁRIOS e INVESTIDORES DA CIDADE e REGIÃO, parece estar em sintonia com o mais avançado que tem sido feito nos últimos anos, na gestão do futebol luso, por outros emblemas que constituíram SAD´s.  Aqui, na Briosa, com a singularidade de APELAR À MATRIZ COIMBRÃ e aos investimentos endógenos. Não irá, certamente, ficar por aí na agregação de boas vontades e admitimos que venha a captar mais sócios efetivos e correspondentes em todo o país. A ACADÉMICA/OAF não é só Coimbra e a Universidade. É o emblema preferido pelos portugueses, logo a seguir aos três grandes, Sporting, Benfica e Porto. Volto a evocar o Dr. João Moreno porque foi uma personalidade ímpar, vi-o chorar com a morte do jovem Nene, sorvi toda a explicação que um dia me deu acerca do modo como conquistou, para treinar a Académica, o Mestre Cândido de Oliveira. João Moreno, estudante, envergando capa e batina, desloca-se à capital e pede para falar com Cândido de Oliveira a quem diz que gostaria de o ter a treinar A BRIOSA, mas que não tinham dinheiro para lhe pagar. A sua ousada atitude teve profícua resposta de Mestre Cândido que veio para Coimbra numa missão pró-bono e criou um autêntico laboratório futebolístico, a tal Académica em que “os jogadores pegam (ou pegavam) de estaca”. Ao longo das épocas a Académica tem-se transmudado e adaptado às mais diversas circunstâncias, algumas bem difíceis como é o caso dos problemas financeiros, mas tem conseguido resoluções com…BRIO. Não esqueceremos que o velhíssimo e indecoroso caso N´Dinga empurrou, injustamente, a Académica para um vale de lágrimas. Jorge Anjinho, bateu-se nesta luta para ser reposta a verdade e recorde-se que foi presidente entre 83 e 84 do Clube Académico, conseguiu o regresso à Casa-Mãe e liderou os capas negras entre 84 e 90 já como Organismo Autónomo de Futebol.  A sua dinâmica e prestígio foram elevados, criou a grande feira CIC na Praça Heróis do Ultramar, dinamizou o tecido comercial e industrial e projetou a Académica. Foi um presidente reconhecido a nível nacional e até internacional. Mendes Silva, Paulo Cardoso, Fausto Correia, Campos Coroa, Eduardo Simões, Paulo Almeida, Pedro Roxo e Miguel Ribeiro constituem, agora com Joaquim Reis, o “ONZE PRESIDENCIAL” da Académica. Não esqueceremos os que foram líderes durante o Clube Académico de Coimbra, nem os que presidiram à antiga Secção de Futebol da Associação Académica. Ser Presidente da Académica/OAF é prestigiante, mas não é fácil. Em maré de recordações lembro-me de uma outra entrevista que fiz a Mendes Silva enquanto presidente da Briosa. No primeiro andar da sede, aos Arcos do Jardim, janela aberta e virado para a escultura de São Sebastião incrustada num dos arcos, diz-me, antes de eu o entrevistar formalmente: ser presidente da Académica é sentir-me tão flagelado como o São Sebastião que está à nossa frente.

Os que foram presidentes da Académica também têm sido flagelados por algumas setas e, para mim, são heróis. Desejo que continue essa heroicidade. Seja bem-vindo, Dr. JOAQUIM REIS e EQUIPA.

SC

Publicado no jornal O Despertar de 6 de junho de 2025

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