AONDE ANDAM OS PIRILAMPOS?

 

AONDE ANDAM OS PIRILAMPOS?


Terminou, no início deste mês de junho (2025) a Campanha do PIRILAMPO MÁGICO. Durante quase trinta dias foi realizada a venda do simpático boneco cujas receitas são destinadas, de um modo geral, às CERCI´S – cooperativas de solidariedade social aglutinadas na federação FENACERCI cuja missão, em traços gerais, é promover os direitos de cerca de 25.000 pessoas com diversas deficiências as quais apoiam. A Campanha do PIRILAMPO MÁGICO, ao longo dos tempos, tem permitido sensibilizar os portugueses para a problemática da deficiência, a necessária integração dos deficientes e obtenção de fundos para ações de apoio.

O PIRILAMPO MÁGICO começou na rádio ANTENA 1 na sequência de uma entrevista que abordou as dificuldades da Cerci de Lisboa, o que, aliás, se replicava pelas Cercis do país. O locutor José Manuel Nunes, na ocasião diretor de programas, sensibilizado com o grave problema destas instituições, preconizou a campanha de apoio às CERCIS, lançando de acordo com a Fenacerci o PIRILAMPO MÁGICO que arrancou em março de 1987. É atualmente a mais forte e mais bem conseguida campanha de solidariedade social do nosso país. A imensa força da rádio também pode ser aferida pela projeção deste empreendimento social. Recordo-me de ter estado a fazer reportagens para a Antena 1 nalgumas CERCIS dando a conhecer os seus problemas que eram enormes: enormíssimos. Comprar o Pirilampo Mágico Mascote é para nós, portugueses, um hábito salutar e humanista, contudo, pergunto-me por onde andam os reais insetos pirilampos? Os vaga-lumes já não se veem, é o que constato. Não encontro pirilampos nas mais diversas situações de escuridão e tenho saudades da minha meninice quando por Miranda do Corvo, ao lusco-fusco, pela Cruz Branca ou na Mata, junto à estação da CP, ou em zonas mais escuras, ficava deslumbrado com a bioluminescência dos pequenos luzincus (ou luzicus) que caçava prazenteira e interessadamente. Um ou dois caçados, punha-os, à noite, debaixo de um copo na mesinha de cabeceira e, de manhã, tinha lá uns tostões. Eram os Pais que punham o dinheiro e só mais tarde me apercebi. Era um encanto e um espanto. Julgo que no meu subconsciente os pirilampos da minha infância, geradores de uns tostões, influenciaram-me no empenho com que fiz - e vi companheiros de rádio e televisão a fazerem -, reportagens no âmbito da campanha Pirilampo Mágico. Sempre admiti que os vaga-lumes, os tais pirilampos, autênticas lanternas, bichinhos com vida e luz, podiam dar dinheiro e essa verba podia e poderá continuar a ser importante para ajudar boas causas como é o caso da Campanha Pirilampo Mágico. No entanto, caros leitores,reafirmo,  já não vejo pirilampos, os verdadeiros pirilampos bichinhos da natureza, por mais que os procure, nem sequer um único me aparece. E o leitor vê-os? Segundo o que leio a poluição luminosa, o abuso dos pesticidas, a degradação ambiental, são alguns dos fatores que estão a levar à extinção dos pirilampos e tenho pena até porque entre Portugal e Espanha haverá apenas cerca de onze espécies de pirilampos dentre as 65 da Europa e duas mil em todo o mundo, segundo li no projeto Ambassador Programe (Programa de Embaixadores) que conta com estudantes e jovens. Porém, fico feliz ao saber que nas rádios e televisões continuam a voar pirilampos, ou seja, voam ações de sensibilização para as pessoas comprarem os PIRILAMPOS…MÁGICOS a darem dinheiro para uma boa causa.

                                                                                                                                                                                                                            ***

JÁ AGORA: gostava que fosse feita uma efetiva e musculada ação sensibilizante para proteger estes brilhantes insetos, evitando a sua extinção, a par do que já se faz com outros dos nossos bichinhos da natureza. Vamos a isso? VAMOS DEFENDER OS PIRILAMPOS?

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