FESTIVAL DA EUROVISÃO 2025
FESTIVAL
DA EUROVISÃO 2025
Nunca equacionei que os NAPA,
banda madeirense, pudessem ganhar o recente Festival da Eurovisão, porém,
especialmente os jovens gostam da canção e o grupo teve um comportamento muito
limpinho, contudo, fico apreensivo perante a possibilidade de preponderância do
televoto neste certame que tem quase setenta anos de existência. Até ganhou a
preferida dos jurados espalhados pelas delegações da União Europeia de
Radiodifusão, mas, quanto a mim, a Eurovisão tem de estar atenta e analisar a
importância e repercussão do voto do público que pode divergir ou alterar o
sentido do voto profissional. Os jurados nos vários países são, habitualmente,
personalidades do meio artístico, cultural e musical e acompanham as tendências
e a maioria tem formação musical. Disse-me um dia o nosso consagrado José Cid,
experiente neste e noutros certames, que os jurados/técnicos são pessoas com
formação e atentas a quem canta bem e a uma boa música, tal como estão, também
atentos, às desafinações e outros males. Parece-me que músicas que entram no ouvido com
facilidade são consideradas mais apetecíveis de forma IMEDIATA para o voto
popular do que outras de difícil desconstrução/receção, podendo ainda o público
votar (pode-se votar 20 vezes) mais facilmente em canções e cantores a quem se
ligam por diversos motivos desde afetividades ao imediatismo de agradabilidade
auditiva. No Festival da Eurovisão, como
em certames congéneres, há, habitualmente, para o grande público, o imediatismo
na audição, a qual, tem de estar atenta e apurada para se confrontar com muitas
canções. Temos público a votar cujo comportamento pode ser ativo, passivo e ou
afetivo, mas, o mais importante para mim, é o voto dos Jurados, que apelido de Profissionais/Jurados
Técnicos. Reparem que a Grã-Bretanha teve zero pontos do público e será que os
ingleses já não gostam nem se interessam por este Festival e não votam do lado
do público em geral? Está muito melhor a EUROVISÃO pelos conteúdos musicais,
pelas coreografias e encenações, algumas com extravagância, valha a verdade,
mas temos de aceitar. Por mim haveria dois prémios separados: o resultante da votação
do público e outro, que seria o principal: o VENCEDOR SAÍDO DA PONTUAÇÃO DOS
JURADOS de vários países. E sem troca de favores…para não indiciar um ar
familiar e patriótico numa espécie de toma lá, dá cá. Venceu este ano JJ, de 24
anos, contratenor, sorriso suave, a representar a Áustria e a espalhar amor com
Wasted Love, em modo operático, uma canção que parece evocar a dor de
amar.
SC
Comentários
Enviar um comentário