PARA TRÁS MIJA A BURRA - TALVEZ UMA TÁTICA DO FUTEBOL MIRANDENSE
COISAS DO FUTEBOL
PARA TRÁS MIJA A BURRA - TALVEZ UMA TÁTICA MIRANDENSE
Lamento que o futebol do CLUBE ATLÉTICO MIRANDENSE, de
Miranda do Corvo, que já esteve num nacional não esteja agora com uma presença
relevante. É o clube da minha infância e adolescência e isso marca muito.
Quantas vezes recordo o verde das serranias belas que envolvem Miranda do Corvo
como rememoro o amarelo das acácias que pintavam por completo a Mata atrás da
estação da CP daquela localidade. A cor verde é a cor da camisola do MIRANDENSE
e admito que tenha sido escolhida pela envolvência verdejante e magnificente
das serranias. Entre o final dos anos 50 e princípio de 60, o MIRANDENSE que foi fundado
em 1947, participou num torneio popular de futebol denominado TAÇA AMIZADE,
troféu que venceu. Tinha um conjunto de jogadores com elevada técnica, onde o
coletivo funcionava com eficácia. Do Pascoal, na baliza, ao Zé Mário como
central, Aires e Virgílio como atletas cerebrais ou Reinaldo e Armando, na
frente, a eficácia deu frutos. Era uma equipa aguerrida. Ganhou o tal torneio
popular (TAÇA AMIZADE) e existia uma força indomável para a conquista de vitórias. Era extremo
esquerdo o Zé Maria que veio a destacar-se como dirigente na arbitragem. O Zé
Maria gostava de avançar no terreno e ir rápido para a linha final. Contudo,
alguns dos colegas de equipa, especialmente os do meio campo, gritavam muitas
vezes para trás Zé Maria, para trás Zé Maria, talvez para abrirem o jogo e
depois avançarem. Incomodado com a possibilidade de um jogo mastigado e recuado,
o Zé Maria, embora ouvindo os colegas dizerem muitas vezes para trás Zé Maria,
para trás Zé Maria, já farto, optou por avançar e por falar bem alto dentro do
campo: PARA TRÁS MIJA A BURRA. É uma expressão popular, e consultado o
Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, lemos que é uma frase com o significado de
parar um empreendimento ou de recuar e não progredir. Ora, o Zé Maria,
voluntarioso esquerdino, queria avançar e nada de futebol defensivo pelo que eu
e alguns amigos mirandenses, quando queremos ver equipas a atacar e não a defender,
proclamamos a tática PARA TRÁS MIJA A BURRA. Vejam os leitores a minha profunda
admiração quando li que esta tática do para trás mija a burra terá sido
inaugurada por um treinador do Juventude de Évora nos anos 70. Discordo. No
futebol português a tática do para trás mija a burra foi implementada pelo ZÉ
MARIA do MIRANDENSE.
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GARRAFÕES DE ÁGUA NAS PORTAS DE CASTELO BRANCO
Estive em Castelo Branco e fiquei admirado com dezenas de
garrafões de água nos lugares de possível estacionamento e à porta de várias
casas. Outras localidades, próximas da cidade albicastrense, também são
pródigas nesta pública exibição de garrafões. Estamos sempre em idade de
aprender e explicaram-me que esta ação garrafãocional tem por
objetivo evitar que gatos e cães urinem naquelas zonas, à porta das casas, largando
o pestilento cheiro, pois o reflexo da luz na água dentro dos garrafões assusta
ou desorienta os animas. Explicam-me que o mesmo é também feito nas varandas e,
deste modo, as aves não sujam aqueles espaços. É um exercício de higiene e não
sei se a prática está registada e tem autor, mas ao que parece já é usada há
muitos anos. Não há provas científicas de bom resultado, mas numa observação
macroscópica, podemos concluir que não há nem xixi nem cocó de patudos à vista.
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