MUSEU DA PESCA DE JOÃO D´ALVARINA, NA LEIROSA
NA LEIROSA
MUSEU DA PESCA DE JOÃO D´ALVARINA
Quem quisesse ir à pesca do bacalhau, antes do 25 de abril,
ficava dispensado de fazer o serviço militar e de ir para a guerra colonial.
Aconteceu com JOÃO D´ALVARINA da LEIROSA de 72 anos. Começou a trabalhar aos
dez, num armazém, a remendar redes de sardinha, veio mais tarde a ser pescador,
em concreto na pesca de arrasto, em Lisboa; e regressou à sua LEIROSA onde tem o
MUSEU DA PESCA, obra sua, no armazém que lhe pertence e no qual entrou a
trabalhar ainda criança. Ali pontificam vários artefactos marítimos ligados à pesca
e, a envolver todo o espaço, um conjunto impressionante de mapas (CARTAS
TOPOGRÁFICAS E CARTAS HIDROGRÁFICAS) que representam toda a orla costeira da
Galiza até ao Algarve com a zona marítima envolvente (a verde) e a suprema
inscrição de centenas e centenas de embarcações engolidas pelo mar devidamente
posicionadas cuja localização protege a faina da pesca. Dados introduzidos
manualmente. Fiquei boquiaberto com as explicações do nosso mestre que tem, por
exemplo, réplicas em miniatura das redes da sardinha e das redes da arte xávega.
Aos 14 anos tirou a cédula marítima e foi para Lisboa durante 50 anos, com um
interregno de dez, em que esteve na pesca do bacalhau na zona da Noruega.
Muitos pescadores têm ido a este museu para tirar dúvidas em relação ao que
está debaixo de água. “Tudo o que está aqui é feito por mim e não há dedo de
mais ninguém” - diz-nos relatando que tem visitas regulares de
pessoas que pretendem aprender a fazer redes. “Já veio cá muita gente de
Coimbra e especialmente médicos”. Destaque para uma rede de há 70 anos para
arte xávega toda feita em sisal porque antigamente não havia nylon. “Nunca
tive nem tenho apoios de ninguém. Quando vinha de trabalhar em vez de ir para a
taberna beber uns copos ou jogar às cartas passava aqui o tempo”. Este MUSEU
particular não tem horário. Temos de chegar à Leirosa e perguntar pelo
senhor João D´Alvarina, o do MUSEU DA PESCA. Pescador há mais de meio século.
Sansão Coelho no jornal O Despertar de 7 fevereiro 2025
Comentários
Enviar um comentário