E SE A TRAGÉDIA DE VALÊNCIA FOSSE AQUI?

 

E SE A TRAGÉDIA DE VALÊNCIA FOSSE AQUI?

 

E se a tragédia que se abateu em várias localidades da comunidade de Valência tivesse sido por cá, que resposta teria sido dada? As autonomias em Espanha podem ter atrasado a reação necessária, mas o governo central tinha por obrigação avançar com rapidez e em parceria com os chefes da região autónoma de Valência. Não posso deixar de escrever acerca desta tragédia ocorrida, recentemente, há semana e meia, por causa da gota fria. O iberismo importa-me. São os únicos vizinhos e estão aqui ao lado. E foi uma tragédia para a qual não encontro palavras adequadas, talvez um apocalipse. O significado para apocalipse é a série de acontecimentos profetizados a culminarem com o fim do mundo. E andaram lá perto. Pelas reportagens que li, escutei e vi, a elevadíssima precipitação, em pouco tempo, transformou em torrente de água e lama algumas localidades destruindo tudo o que materialmente encontrou à sua frente e, pior do que isso, ceifou diabolicamente vidas humanas. Inundações catastróficas e muita lama. Nunca vi nada igual. As alterações climáticas estão a produzir situações perigosamente inenarráveis. E surgem de forma súbita. Pouco tem sido feito à escala mundial para preservar o planeta.  Nos nossos territórios encontramos pessoas a cumprirem as suas obrigações na defesa da terra e dos oceanos, mas há muitas pessoas a olharem para o lado. Guterres, secretário geral das Nações Unidas, tem apelado para ações de preservação do ambiente, mas os ouvidos ensurdeceram, assim parece. O Papa também clama pela defesa do ambiente, mas há crentes a pecarem neste âmbito e não são pecadilhos, são pecados grandes. O que fazer? Julgo que o importante é realizar simulacros que permitam indicar-nos as melhores respostas em caso de catástrofes deste género. A região do Baixo Mondego, a começar por Coimbra antes da domesticação do curso do pátrio rio, era cenário de terríveis inundações. A Ereira, por exemplo, transformava-se numa ilha e em Coimbra a Praça 8 de maio e o Terreiro da Erva recebiam razoáveis quantidades de água que davam para andar de barco. O Mondego levava tudo à sua frente. Hoje não é assim, mas não podemos descansar pois já houve, após a regularização do caudal do rio, imprevistas cheias. Temos de estar alerta, ou seja, vigilantes e preparados para respostas imediatas. De súbito, o apocalipse pode ser aqui. Na Europa, nos últimos 30 anos, quase seis milhões de pessoas foram afetadas por inundações que provocaram três mil mortos o que deve servir de alerta.

Em O Despertar de 8 novembro 2024

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