ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA, cantoautor e cantor de Coimbra, HOMENAGEADO EM AVINTES

 

ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA


TROVADOR INESQUECÍVEL

HOMENAGEADO EM AVINTES


Há cantores que partiram, alguns bem cedo, e entramos, por falta de ação memoriosa e de pedagogia, num ambiente de desmemória dos seus percursos de êxito.  ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA não pode ser esquecido. Tive conhecimento, através de publicação online do Jornal de Baião, de que no passado fim de semana foi inaugurado em AVINTES um busto daquele saudoso cantor.  Finalmente! Iniciativa dos filhos e de algumas entidades nortenhas. ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA foi o cantor de Coimbra, ou melhor, foi também o cantautor mais visível e interveniente nos anos 60 em Coimbra e no país, talvez, tanto como José Afonso. Deu voz a grandes e históricos poemas especialmente de Manuel Alegre muitos dos quais musicados por António Portugal, merecendo realce pela sua penetração nos portugueses e hino de resistência, a TROVA DO VENTO QUE PASSA.  Hoje, num contexto bem diferente, aquela Trova ainda é desejada e entoada pelo público em sessões de fados e canções de Coimbra. ADRIANO nasceu no Porto em 1942 e faleceu em Avintes a 16 de outubro de 1982, completaram-se há dias 42 anos. Partiu poucos dias depois de o ter integrado ao vivo e em direto no programa CANTOS E CONTOS DE COIMBRA que apresentei na RTP 2. Fiquei triste nessa última aparição pública do ADRIANO, pois, consultando-o para fazer uma apresentação dialogada entre nós, o cantor estava em baixo de forma e pareceu-me muito cansado deixando ao meu critério o teor dessa apresentação. Aliás, ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA não precisava de apresentação. Tinha 40 anos e era, provavelmente, a melhor voz da cena musical portuguesa. Foi lídimo representante da canção de Coimbra e um cantor de intervenção ativo.   A sua voz era límpida, fresca, um timbre excecional. Foi uma enorme voz. Recebeu o prémio Pozal Domingues em 1969 e foi eleito em 1975 Artista do Ano pela revista inglesa Music Week. Ligado ao PCP foi membro da organização da Festa do Avante, logo no início, e esteve nas cooperativas Cantabril e Era Nova. Pela importância das suas intervenções recebeu, a título póstumo, a comenda da Ordem da Liberdade e foi feito Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Foi aluno da Faculdade de Direito em Coimbra onde, se não estou em erro, apenas lhe faltou fazer uma cadeira para completar a licenciatura. Os mais jovens que nunca viram em atuação o Adriano podem conhecer pela discografia intensa a beleza das suas canções e imaginar o quão importantes foram bem como a sua voz na luta contra a ditadura.  ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA participou em várias atividades e organismos da Associação Académica e integrou, no desporto, a equipa de voleibol da BRIOSA e a sua elevada estatura ajudou.

E agora, nós, Coimbra, o que estamos a fazer para prolongar a voz límpida e as canções de amor e liberdade de ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA?

SC no jornal O Despertar de 1 novembro 2024

 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A DESIGUALDADE DA VACINAÇÃO MUNDIAL, artigo do DR. TOCHA COELHO

EM COIMBRA, E A OURO, HOMENAGEM A FERNANDO ROLIM

AUTOS PASTORIS NA DEZ DE AGOSTO