SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE: FUNDAMENTAL E INSUBSTITUÍVEL
SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE
FUNDAMENTAL E INSUBSTITUÍVEL
1.Respirem para verem a série RESPIRA que passa na NETFLIX. Ambientes
alucinantes, frenéticos, vividos num suposto hospital espanhol do serviço
nacional de saúde. Ali, médicos que merecem melhores salários e melhores
condições, trabalham a salvar vidas até à exaustão. A série é de flagrante
atualidade.
2.Neste domingo, dia 15, são assinalados 45 anos do SERVIÇO NACIONAL DE
SAÚDE (SNS) a mais prodigiosa construção da Democracia e do 25 de abril tendo
como pai o inesquecível DR. ANTÓNIO ARNAUT. A 19 de dezembro de
78, Arnaut apresenta na Assembleia da República o Projeto-Lei 157/I a definir
as Bases do Serviço Nacional de Saúde. A lei é votada em setembro do ano
seguinte com votos a favor do PS e do PCP, abstenção do PSD e votos contra do
CDS.
3. Não consigo respirar quando recordo, em particular no Portugal Profundo, cidadãos
doentes transportados através de carreiros em padiolas até à estrada onde um
carro de aluguer os levava à consulta para um hospital PRÓXIMO - e esta
proximidade de um dos poucos hospitais existentes significava estar a duzentos
ou mais quilómetros. Portugal gemia em sofrimento e abandono dos seus doentes. Recentemente,
os surtos de covid 19 puseram à prova a importância do SERVIÇO NACIONAL DE
SAÚDE e dos seus profissionais considerados, superiormente, abnegados e heroicos. Antigo
Secretário de Estado da Saúde, médico e gestor, José Martins Nunes, referiu à Lusa,
citada no Campeão das Províncias, que na pandemia o SNS superou uma das
suas provas mais difíceis desde a sua criação (…) Hoje, mais do que nunca,
temos que dar muito valor e valorizar o que foi a iniciativa de criar este
grande patamar social, económico e sanitário que foi o SNS.
4.O SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE veio salvar portugueses. Ao ilustre
conimbricense/penelense, autor do projeto, este Serviço
mereceu sempre a sua filigranada atenção, mesmo após deixar funções
governativas. Artigos e entrevistas em várias publicações e os respetivos
conteúdos atestam-no. Em 2017, escreveu, em parceria com João Semedo, o livro SALVAR
O SNS – Uma nova Lei de Bases da Saúde para defender a Democracia. Dedicação
e empenho a defender o SNS bem como a sua atualização e necessária sustentação.
5.A janeiro de 2021, a deputada do Bloco
de Esquerda, Marisa Matias, considerava o SNS insubstituível e crucial e
opinava que quase cem por cento do país nele se revê. Concordo!
6. A série de streaming RESPIRA
é ficção, mas num exercício de ousadia, quase a posso considerar, a espaços,
autoficção, tão perto da realidade se apresenta. Em Espanha como em Portugal. Para
além de momentos romanceados, a vida de frenesim daquele hospital muda quando
chega para tratamento uma política populista, presidente daquela Região
Autónoma e propensa a remeter a saúde para o privado em vez do público. Contudo,
ela própria tem um cancro e opta por ser tratada no hospital público. O seu
tratamento e cirurgia coincidem com uma greve dos profissionais por melhores
condições laborais. Os médicos entram em greve e tomam esta medida extrema para tentarem
consciencializar os poderes públicos/políticos para o caráter essencial do seu
trabalho e para se manifestarem contra os cortes insustentáveis que o serviço
nacional de saúde está a sofrer. Alguns médicos, em concreto os internos, não
sabem se devem juntar-se a esta greve que pode ter consequências fatais para os
doentes, escreve a Netflix. A ética, a deontologia, o juramento de
Hipócrates, tudo é aflorado em momento clímax. É de cortar a respiração.
7. É preciso e é urgente defender o
SNS. Neste dia 15, Coimbra, CIDADE DA SAÚDE, com uma plêiade de médicos reconhecidos
nacional e internacionalmente, e de outros profissionais de saúde com idênticos
créditos, evoca António Arnaut, o seu pensamento e ação na criação e defesa do SNS;
e precisamos que este seja revitalizado e rejuvenescido. Ajudemos, pois, a regar
a OLIVEIRA do SNS, ao som do seu novo hino, no Parque do Mondego, atapetado de
verde esperança. A 15 de setembro e… sempre.
Sansão Coelho - texto inserido no jornal O Despertar de Coimbra de 13 setembro de 2024
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