O 25 de ABRIL ainda não resolveu muitos dos problemas de Portugal. SOL NA EIRA E CHUVA NO NABAL

 


 

SOL NA EIRA E CHUVA NO NABAL

 

No seu romance RIO DE SOMBRAS, o saudoso político, advogado, escritor e humanista ANTÓNIO ARNAUT, entre a ficção e o real, conduziu os leitores pelas vivências significativas de Portugal e dos portugueses entre os anos 60 e quase final dos anos oitenta. A obra encerra, no plano temporal, com o trágico Incêndio do Chiado, em Lisboa, em agosto de 1988, a criar, metaforicamente, na ótica do narrador, assim admitimos, um ambiente de perda, desconsolo e de receio no futuro. Arnaut, entre o real e o ficcionado, deixou algumas boas notas de progresso (evoco o próprio Serviço Nacional de Saúde que criou) e deixou alertas e preocupações em relação ao rumo de Portugal, ou melhor dizendo, às políticas no nosso país. Adivinhou problemas que infelizmente surgiram. Recordo que no decurso da narrativa, após todos os democratas viverem com exuberância e partilha a Revolução do 25 de abril em 74, em Coimbra, os organizadores ou apressados detentores da marcha do 1º de maio seguinte, nesta cidade, terão marginalizado grandes defensores da democracia e da liberdade: tomaram conta da manifestação a qual devia ter sido um hino à amizade, à união e à solidariedade. Terá sido, então, um embrião do PREC, o chamado Processo Revolucionário em Curso que quase virava Portugal para extremismos, para uma Ditadura de Esquerda(s). É ficção? Arnaut terá mergulhado no real e relatou-o em tom autobiográfico. Portugal conseguiu, a 25 de novembro de 1975, e após o PREC, equilibrar e estabilizar-se politicamente assegurando uma Democracia Representativa, aberta a todos, exceto, obviamente, aqueles que eram contra a democracia. Os historiadores da contemporaneidade fazem estudos aprofundados deste ciclo da vida portuguesa. Lamento, entretanto, que o 25 de ABRIL, tão festejado nestes últimos dias no seu 50º aniversário, não tenha ainda conseguido resolver problemas graves que urge solucionar e não podemos perder mais tempo. Ainda na esteira de Arnaut e do seu romance que citei, é triste continuarmos a observar, dentre várias dificuldades, a hemorragia demográfica e de serviços no Interior; a adiada regionalização; uma corrupção que não foi estancada; enormíssima falta de habitação a preço acessível, bolsas de pobreza e dificuldades para alavancar Portugal rumo a um progresso eficaz, económico e social.  Temos dois milhões de pobres o que é contrastante com muitos vencimentos e reformas milionárias e lucros impensáveis de bancos e de grandes superfícies. Sabemos que houve problemas que a República pós 1910 não conseguiu resolver; e com a ocorrência de extremismos nessa época surgiu o golpe de Estado de 28 de maio de 1926 do qual saiu a ditadura, o terrível Estado Novo que atrasou Portugal. Estamos a dois anos do centenário da data triste da implantação do Estado Novo. Alerta, pois! Cuidemo-nos. Que haja união em favor de um efetivo progresso a todos os níveis. Desejo aos leitores de O DESPERTAR que tenham comemorado com emoção e pensamento clarificador e positivo os recém festejados feriados do 25 Abril e do 1º de maio. Decorreram, estas recentes comemorações, meteorologicamente, entre o sol e a chuva, contudo, não é fácil ter na vida SOL NA EIRA E CHUVA NO NABAL. Se pedimos melhor vida para o país em geral, permitam que particularize um ansioso pedido de melhor Coimbra e melhor região Centro, do litoral ao interior. Melhor democracia e mais progresso. Coimbra já não é a grande única cidade universitária porque o a Democracia e a Liberdade abriram escolas superiores pelo país. Precisamos de outras fortes apostas, de levar inovação e desenvolvimento aos vários vetores da nossa vida coletiva coimbrã com uma palavra de incentivo aos setores terciário (comércio, turismo, serviços geradores de riqueza) e quaternário (conhecimento, alta tecnologia, educação, informação, artes).

SC

Publicado em O DESPERTAR a 3 de maio de 2024

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