OS CALOIROS JÁ CÁ ESTÃO E A PRAXE ACADÉMICA TAMBÉM

 


 

 OS CALOIROS JÁ CÁ ESTÃO 


E A PRAXE ACADÉMICA TAMBÉM

 

Amanhã começa o outono e eis as aulas. Chegaram os caloiros e a Coimbra académica no seu modo de bem acolher recebeu-os de braços abertos. É o que penso com algum otimismo. A integração dos novos alunos é processada a vários níveis e um dos mais importantes é a Praxe. PRAXE ACADÉMICA é o conjunto de usos e costumes tradicionalmente existentes entre os estudantes da Universidade de Coimbra e os que forem decretados pelo seu Conselho de Veteranos.

“A PRAXE vigora a todo o tempo e subdivide-se em quatro períodos: a) O primeiro período da PRAXE medeia entre três dias antes da abertura oficial da Universidade de Coimbra e três dias após o início das férias do Natal. b) O segundo período da PRAXE medeia entre três dias antes do fim das férias do Natal e três dias após o início das férias da Páscoa. c) O terceiro período da PRAXE medeia entre três dias antes do fim das férias da Páscoa e o início do cortejo da Queima das Fitas. d) O quarto período da PRAXE medeia entre o dia do cortejo da Queima das Fitas e o dia da bênção das pastas”.

E atenção a este aspeto: “Considera-se Abertura Oficial da Universidade de Coimbra, o primeiro dia de aulas em qualquer das suas Faculdades, se este for anterior ao ato de Abertura Solene”.

 A Praxe tem perdido credibilidade nas últimas décadas e está pulverizada por um conjunto de ditames de diversas instituições e cursos. O que era um conjunto de atos salutares foi dinamitado por atitudes avulsas muitas vezes degradantes e até desumanas e que nem sequer constam do Código. Todo o tempo, porém, é tempo de mudança, mas não parece ser necessário mudar o Código da Praxe Académica de Coimbra. Contudo, é o tempo certo de Conselho de Veteranos, Dux Veteranorum, Direção da Associação Académica e dos Antigos Estudantes exercerem alguma pedagogia neste campo e reabilitarem a Praxe como aspeto de salutar convívio entre os estudantes da Universidade.

A Coimbra académica tem perdido a identidade gira que foi reconhecida mundialmente a nível das práticas tradicionais do seu corpo discente. Hoje, os alunos estão inseridos num maior número de categorias e prevejo que muitos deles não conheçam a sua CATEGORIA e, porventura, nunca terão lido o Código da Praxe Académica. Há quem “inove” e faça constar a existência de procedimentos que não estão articulados no Código da Praxe. Sabemos que este ano houve ações alternativas à PRAXE ACADÉMICA o que apesar de ser bem-intencionado e bem recebido pode por em causa o valor da Praxe. Esta tem sido facilmente martirizada e julgo que o não merecia. Os tempos são de vanguardas, de pós-modernismo, de mutações, de ALTERNATIVAS, mas não se deve mudar a Torre da Universidade como símbolo desta prestigiada Escola Superior para mudar apenas por mudar, nem é preciso acabar com a Praxe sendo necessário – isso sim! – estar atento a ações prejudiciais ao bom nome de Coimbra, da sua Academia e, por inerência, dos seus Estudantes até no plano individual.

É muito fácil maldizer, destruir, procrastinar, remetendo para mais tarde uma ou mais ações de pedagogia e amizade em favor da Praxe. Aliás, o próprio uso da capa e batina como elemento democrático do vestuário, entroncando, é certo, na antiga vivência escolástica medieval, é usado, na atualidade, ou assim parece ser, como uma espécie de realce académico apenas (ou na maior parte das vezes) em atos festivos quando o seu uso devia estar perto de uma norma.

A tradição já não é o que era? Talvez seja verdade. Porém, é urgente acautelar aquelas tradições académicas que são uma mais valia para Coimbra e para os seus estudantes. O progresso não se compagina com a desmemória. É rica a herança das sociabilidades académicas de Coimbra e, por isso, compete aos atuais estudantes formular uma clara e salutar reflexão para que não se perca o ESPÍRITO ACADÉMICO DE COIMBRA, solidário. irreverente, fraterno e brioso, construído ao longo de séculos.



Sansão Coelho - O DESPERTAR DE 22 setembro 2023


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