PRAXAR SEM AMOR NÃO É PRAXE

  ASPETOS DA VIDA ACADÉMICA


 



                        PRAXAR SEM AMOR NÃO É PRAXE

 

Alguns estudantes talvez vejam no ato de PRAXAR os seus novos colegas, em concreto os CALOIROS, como descarga de uma espécie de frustração ou mimetismo: fazerem o que também lhes fizeram (eventualmente mal feito).

Em Coimbra há a PRAXE dos ESTUDANTES da UNIVERSIDADE e PRAXES de outras Instituições Escolares. Muitos não conhecem a “lei” que contempla as práticas na Universidade de Coimbra e há quem meta tudo no mesmo saco. Muitas críticas negativas surgiram para atos que nada terão a ver com o que está inscrito no CÓDIGO DA PRAXE ACADÉMICA DE COIMBRA. 

A PRAXE é o conjunto de usos, costumes e tradições vertidos num CÓDIGO descendente do PALITO MÉTRICO de 1746 que foi publicado a primeira vez em 1916 por Barbosa de Carvalho e consolidado em 1956 numa edição conjunta de MÁRIO SARAIVA DE ANDRADE e VITOR DIAS BARROS. Este CÓDIGO teve várias revisões e adendas em 1993,2001, 2007 e em 2013. 
O atual CÓDIGO DA PRAXE (da Universidade de Coimbra) não deixa dúvidas quanto a comportamentos abusivos e indica, inequivocamente, a proibição, por exemplo, de atividades que lesem física ou psicologicamente; não se pode fazer pinturas no corpo; não há autorização para a Praxe perturbar o funcionamento de Aulas ou da Universidade no seu todo. Tem algumas indicações SABOROSAS com um quanto baste de lúdico como um estudante ter proteção de uma SOPEIRA, mas para isso acontecer terá de se meter debaixo do avental desta ou ainda o facto de ninguém poder ser praxado quando estiver a usar um urinol público e… terá de mijar antes de voltar a estar em condições de ser praxado.

Não nos podemos esquecer que o atual CÓDIGO ultrapassou o Luto Académico de 69 em que a Praxe foi abolida ou suspensa e já responde ao Processo de Bolonha com novos ciclos de estudo e com novas formulações identitárias. 
Encontramos agora não só bichos, caloiros nacionais, caloiros estrangeiros e novatos (TODOS ESTES SÃO ANIMAIS AO NÍVEL DA PRAXE) como reencontramos as designações de Veteranos, Putos e Semi-Putos e as novas identificações ou classificações de MARQUEZ, BOLOGNEZ, BACHAREL e CANDIEIRO. 
E há novidades horárias com o CALOIRO a não poder estar na rua APENAS entre a meia-noite e o primeiro toque matutino da CABRA. 

Singularidades académicas nas práticas socializantes de Coimbra que não se podem confundir com atitudes desumanas e deselegantes que merecem justificadamente reprovação. E a Universidade de Coimbra não pode servir de bode expiatório a outras academias com atitudes desviantes ou a atos individuais ou sociais de índole académica em que se confunde alegre socialização estudantil com mau companheirismo.

É preciso estar atento porque, às vezes, no melhor pano cai a nódoa ou um gesto isolado e disruptivo pode comprometer toda uma Imagem da dinâmica da sociedade académica coimbrã a dar PROVA DA SUA QUALIDADE e SALUTAR IRREVERÊNCIA há vários séculos.

Este CONJUNTO DE COSTUMES E TRADIÇÕES NO SEIO DA ACADEMIA DE COIMBRA (no Código da Praxe) reflete uma postura de amadurecimento e convite à Integração e à Camaradagem (e também PROTEÇÃO) diferente duma espécie de INFANTILISMO e PENALIZAÇÃO que atualmente se observa em determinadas praxes de outras Instituições do Ensino Superior e tudo é metido no mesmo saco. 

Arrepio-me ao observar que para muitos, e em especial para quem está de fora, a ATUAL COIMBRA ACADÉMICA parece ter perdido alguns pontos em relação à COIMBRA ACADÉMICA DE UM PASSADO RECENTE. Sem melancolia, apenas à luz da minha observação, sentirei pena se tiverem razão os que assim pensam.

O atual CÓDIGO DA PRAXE também responde a atitudes e momentos que me marcaram negativamente há alguns anos como observar o ar de mendicidade de CALOIROS, alguns sob eventual imposição dos “DOUTORES”, a utilizarem o PENICO para pedirem dinheiro ao público que ladeava a LATADA para irem, a seguir, jantar e homenagear o Deus Baco. Como reflexo da insistência a pedir dinheiro vi pessoas a irem-se embora perante esta pedinchice. E nalguns CORTEJOS DA QUEIMA em que a ALCOOLIZAÇÃO, ÀS VEZES ATÉ AO COMA parece ser uma quase norma, atirar cerveja sobre o público é outra atitude vulgar e claramente condenável.

A PRAXE como nos é indicada pelo CÓDIGO DA PRAXE ACADÉMICA em vigor na Universidade de Coimbra tem aspetos muito giros entre o lúcido e o lúdico e só lamento que alguns universitários não a conheçam em pormenor para a exercerem por bem e para o bem de todos os seus colegas.

A feliz banalização de Estabelecimentos do Ensino Superior em Portugal parece ter, infelizmente, massificado e nivelado por baixo a PRAXE ACADÉMICA. COIMBRA que foi durante séculos um exemplo giro (e com muita cagança) foi perturbada por confusão e por desviantes  e importados rituais às vezes mais adequados ao ensino médio ou ao básico. 

CRESCER É DIFERENTE DE DECRESCER. PRAXE NÃO É CASTIGO É … AMOR, ÉTICA, INTEGRAÇÃO E COMPANHEIRISMO. 
Quando leio comentários do género acabe-se com a praxe porque é desumana ou algo neste tom sei que quem escreve não está, de forma ínfima que seja, a referir-se ao que acontece em Coimbra e no seio dos estudantes da sua Universidade…a não ser que o faça por total desconhecimento. 
É evidente que lesar psicologicamente um colega, pedir-lhe para fazer flexões, pintar-lhe uns cornos na testa e outros atos horrendos não tem nada (ABSOLUTAMENTE NADA) a ver com a ESSÊNCIA e com os rituais dos Estudantes da Universidade de Coimbra. ESSE TIPO DE PRAXE NÃO É NA UNIVERSIDADE DE COIMBRA…e é bestialidade total.

Quando estive na Direção da Associação dos Antigos Estudantes da Universidade de Coimbra tentei que fosse possível fazer alguma pedagogia, mas não é fácil embora a Universidade e os Veteranos estejam atualmente na luta por esse objetivo.

Aqui há companheirismo, amor, progresso, respeito, fraternidade, dignidade, igualdade, humanidade. É COIMBRA COM OS GRANDES VALORES.

SC
Atualizado a 2021/dez/16

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