MARIA RESSA, NOBEL DA PAZ de 2021 - UM ARTIGO DO DR. TOCHA COELHO
ESCREVE O DR. TOCHA COELHO
MARIA RESSA
Nobel da Paz de 2021
Maria Ressa, jornalista filipina, antiga correspondente da
CNN na Ásia do Sudeste, lançou o site de informação independente Rappler sobre
a atuação violenta do presidente Rodrigo Duterte na guerra contra a
droga que já fez milhares de mortes.
Esta jornalista é constantemente o alvo do poder, nomeadamente quando
escreve sobre os assuntos sociais, num
país onde os assassinatos de jornalistas são frequentes. O Prémio Nobel da Paz
foi-lhe concedido em 8 de outubro, tal como aconteceu com o redator chefe do
jornal independente russo Novaïa Gazeta,
Dmitri Morotov. Maria Ressa entende que
num país onde os jornalistas são atacados, a atribuição deste prémio é uma
honra para eles e lembra que a única vez que um homem da imprensa obteve o
galardão aconteceu em 1936. O vencedor, Carl von Ossietzky acabou por ser
deportado para um campo de concentração por ter denunciado o rearmamento alemão
acabando por morrer de tuberculose em 1938. Maria Ressa entende ser uma
privilegiada por ter passado uma parte da sua carreira no estrangeiro, dos
quais 10 anos na Indonésia a trabalhar para a CNN, onde relatava os
acontecimentos na Ásia do Sudeste. Desde que Duterte está no poder, ou seja
desde 2016, já foram mortos 19 jornalistas, 63 advogados e muitos cidadãos
civis por denunciarem factos relacionados com a droga. Em março deste ano a
polícia abateu nove militantes na região de Calabarezon, mas fala-se pouco
sobre isso. Nas Filipinas a democracia está ameaçada e, por isso, a verdade
está posta em causa pois a tecnologia confundiu e desnorteou o ecossistema de
informação e em várias partes do mundo alguns chegaram ao poder como se vê em
relação aos presidentes Maduro na Venezuela e Erdogan na Turquia.
Os jornalistas, segundo ela, são os
guardiões dos factos, tal como sucedeu há oitenta e cinco anos com o cidadão
alemão Carl von Ossietzky, acima mencionado e acrescenta que o sistema
democrático está ameaçado, pois os fascistas da primeira metade do séc XX estão
por toda a parte, levados ao poder pelo povo, explorando a tecnologia e a
propaganda. Nas Filipinas há uma manipulação insidiosa da atenção humana,
criando realidades alternativas que fazem temer que a situação se agrave, tal
como sucede pelo mundo onde os jornalistas querem cumprir a sua missão. Em
relação ao prémio, a administração chefiada pelo presidente Duterte, sublinhou
que Maria Ressa fora a primeira filipina a receber o Nobel. Depois, voltou ao
habitual: lembrou todos os processos judiciais que lançaram contra ela. Quando
questionada sobre a possibilidade de ir a Oslo, em dezembro, para receber o
prémio Nobel pessoalmente, diz que tem esperanças, embora já tenha, desde 2020,
tentado por quatro vezes sair do país, mas sem sucesso.
Jorge Tocha
Coelho
Inserido neste blog a 2021/novembro/02 após publicação na imprensa
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