A ISLÂNDIA E A IGUALDADE DE GÉNERO - ARTIGO DO DR. TOCHA COELHO
A ISLÂNDIA E A IGUALDADE DE GÉNERO
Texto do DR. JORGE TOCHA COELHO
A luta pela igualdade entre mulheres e
homens começa a tornar-se uma realidade, o que aliás, não é mais do que o
reconhecimento do trabalho por elas desenvolvido em diversas profissões, e,
sobretudo a sua apetência para aceitar trabalhos que numa sociedade organizada
deveriam ser repartidos entre homens e mulheres, o que infelizmente não tem
sucedido. No entanto há exceções: A Islândia deu um exemplo que é grato
mencionar. Nas eleições para o Parlamento do país sucedeu que os resultados
obtidos deram uma percentagem de 47,6 % de lugares às mulheres o que as coloca
em primeiro lugar no continente europeu, à frente da Suécia, que tem 47% e que era o país com mais mulheres
eleitas para esse órgão legislativo. No resto do mundo só o Rwanda, Cuba e
Nicarágua têm uma câmara baixa ou única com maioria feminina enquanto o México
e os Emirados Árabes estão a par. O
Althing, o Parlamento Islandês foi o primeiro a afixar os resultados com uma
maioria de mulheres. Por sua vez, o chefe de estado Guðni Th. Jóhannesson saudou o caminho seguido no campo da
igualdade completa dos sexos. Mas, no domingo, dia 26 de Setembro,
uma recontagem dos resultados revelou um erro em relação ao número de deputadas: estas não seriam
trinta e três, mas trinta em relação a sessenta e três lugares da Câmara única,
segundo uma informação da televisão pública islandesa. Estes resultados
dececionaram numerosos islandeses. “ Foram uma boas nove horas”, disse
desolada Lenya Run Taha Karim, do Partido pirata, cuja eleição acabou por ser
invalidada depois de uma nova contagem. Aos 21 anos, esta estudante de direito,
filha de emigrantes curdos seria a mais jovem deputada jamais eleita numa ilha
de 350 mil habitantes.
Além disso a Islândia está à frente
dos países mais igualitários do mundo, batendo a Finlândia e Noruega segundo o
Fórum Económico Mundial. “ A nossa primeira lei sobre igualdade salarial é de
1961 e fomos os primeiros a eleger um presidente por sufrágio universal
direto, em 1980”. A taxa de emprego dos islandeses é muito elevada (83% em
2019, segundo o Eurostat) e a sua representação nos ministérios e nas
administrações é superior à média europeia e a licença de maternidade é quase
igual entre os dois pais.
Depois de 2018, as empresas com mais
de vinte cinco funcionários e os administradores são obrigadas a respeitar um
padrão de igualdade salarial por trabalho igual e um organismo independente
verifica se estas respeitam os critérios e, se for caso disso, entregam-lhes um
certificado, renovável de três em três anos.
Jorge Tocha
Coelho
Consultem também Portugal 2020 Igualdade de Género. Imagem retirada da página com a vénia devida.
Inserido a 2021/outubro/01
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